MARKETING - Coluna VENDA
MELHOR
(Publicada aos sábados, no Jornal
OPOVO)
Quem merece o prêmio
Coluna Venda Melhor - Jornal OPOVO, 22/9/2001
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Se
gerentes de vendas têm pesadelos, podemos afirmar com convicção que
a política de classificação(ranking) e premiação de vendedores é
um deles. A grande questão parece ser como classificar melhores
vendedores X melhores performances. Sim, porque essa é a
primeira idéia que precisa ser aceita: nem sempre o “melhor”
vendedor é o que mais vende. Como exemplo, vejamos apenas alguns critérios
para classificação de resultados de vendas, dentre os muitos
existentes: volume total
de vendas, lucratividade, crescimento sobre resultado anterior (último
ano, mês ou semana), participação (share) no total das
vendas, pulverização na carteira de clientes, etc. Considerando
que é quase impossível para um vendedor atender a todos os critérios
acima, surge então a grande dúvida: qual deles adotar como critério
para avaliação da melhor performance e do melhor vendedor. Neste
momento, vou pedir que você olhe, provavelmente, na direção oposta
que estava raciocinando. Na
minha opinião, a questão maior não está no critério adotado para
classificação, que pode variar em função do momento da empresa, do
tipo de produto, da região de atuação, tipo de atendimento, etc. O
aspecto mais relevante a ser considerado é “contra quem o vendedor
estará competindo”. Quase invariavelmente, as empresas adotam um
sistema de classificação dos resultados (ranking de vendas) que
premia e destaca os que atingem o primeiro, segundo e terceiro
lugares, independente de qual seja o critério de avaliação
escolhido. Nesta política, colocamos os vendedores uns contra os
outros, sob o pretexto da necessária competição. Assim, o primeiro
lugar ganhou de todos; o segundo perdeu para o primeiro, mas ganhou do
resto... sucessivamente. É lógico que a competição é necessária,
mas não necessariamente ela precisa se desenvolver entre os
companheiros de equipe. Em empresas de futebol (antigos clubes ou
times), o “bicho” individual, por gol marcado, deixou há muito de
ser considerado um incentivo interessante. O “bicho” é pela vitória
da equipe, independente de quem fez o gol. Calma, calma! Não estou defendendo exclusivamente metas de grupo, nem tampouco prêmios pelo desempenho do grupo. Tais situações são até cabíveis nos casos de lojas de auto-atendimento, por exemplo, onde a remuneração de cada vendedor/atendente não é fruto do esforço individual, mas de todos. Porém, nos casos onde a remuneração é fruto do resultado individual, defendo que os vendedores têm que lutar ou competir contra eles mesmos, e não contra os colegas. É assim com os atletas de competições individuais (atletismo, natação, hipismo, etc.): lutam contra o próprio tempo. O grande adversário é ele próprio, seu limite. É óbvio que por ser uma competição esportiva, faz-se necessário uma classificação em que exista do primeiro ao último. Mas, na empresa, não precisa obrigatoriamente ser assim. Nesse
enfoque, não são poucos os casos em que vendedores chegam a
colaborar com colegas para que os mesmo consigam superar-se a si
mesmo, uma vez que não estão competindo entre si. Nestas políticas,
continua existindo o prêmio, a premiação, o reconhecimento e tudo
mais que está presente nas políticas usuais de incentivo. Menos o
sentimento de que alguém precisa ganhar de alguém. Um momento mágico
das últimas Olimpíadas foi o caso de uma equipe de atletismo
feminina que comemorou um terceiro lugar como se fosse delas a medalha
de ouro. Razão para isso? Tinham quebrado seu próprio recorde.
Consideravam-se campeãs. Tinham superado seus limites pessoais.
Sei
que o tema é polêmico e não pode ser encerrado em um único e
breve artigo. Mas está lançado o desafio de começarmos a pensar
sobre o assunto, vendo-o a partir de outro ângulo. Você pode estar
pensando agora: Mas Paulo, e como fica o campeão, aquele que
realmente vende mais; será que vai aceitar a idéia de não ser o
único primeiro lugar? Na minha opinião, se forem realmente campeões,
não só como vendedores, mas também como pessoas (humano),
certamente ficarão felizes por verem que os colegas estão
melhorando e caminhando em direção ao topo, assim como um dia ele
também fez. Quanto ao prêmio, não seria bem melhor se conseguíssemos
entregar para todos? Vendas abençoadas e crescentes para você!
Paulo
Angelim
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