Na contra-mão é melhor 

Não sei você, mas gosto muito de correr na rua. Para mim, é uma excelente oportunidade de colocar minha mente vagando, sem destino certo, sem compromisso de ter que chegar à uma conclusão. E por mais estranho que possa ser, prefiro correr na contra-mão. Refletindo sobre isso vi que essa atitude, de correr na contra-mão, deveria ser a atitude padrão para o desenvolvimento de nossas carreiras pessoais ou de crescimento de nossas empresas. E são apenas duas as simples razões que justificam porque correr na contra-mão é melhor: 1) é mais seguro e 2) você é mais notado.

Eu sei que você deve estar se perguntando: "mas correr na contra-mão não significa ser do contra, remar contra a maré?" Não é bem assim. Ir no sentido contrário ao da maioria é muito mais seguro. É lógico que o risco "aparente" é maior. Parece mais ameaçador, pois você vai de encontro ao fluxo. Mas é exatamente aí que está a segurança. Quando você está no controle de sua vida, você se sente mais seguro em ver, previamente, o movimento brusco que seus concorrentes podem tomar, pois estão vindo na direção contrária a sua. Ir na mesma mão, no mesmo sentido que a maioria, dá a falsa impressão, um falso conforto de que você está seguro. Esse é o grande perigo. O risco, que você pensa não existir, é muito maior para quem anda no fluxo, pois você tira de si o controle sobre a situação, entregando para os que passam a responsabilidade de se desviarem de você. Correr na mesma mão é recomendável para aqueles que preferem ter suas vidas controladas pelos outros, pelo chefe, pela empresa, pelo mercado. Essa é uma atitude reativa. Por outro lado, quem anda na contra-mão tem de estar de prontidão para proativamente agir quando necessário, e isso é assumir o controle sobre sua existência. Se você é capaz de lidar bem com essa responsabilidade, a responsabilidade sobre seu próprio desenvolvimento, você estará muito mais seguro na contra-mão. Andar na mesma mão é dar às costas para os que vêm querendo passar por cima de você. Quando você menos espera, acontece, e você não tem sequer condições de reagir. Na verdade, a segurança está em correr riscos calculados, e correr riscos os quais você possa estar no controle da situação. Vá de encontro às tendências. Crie o seu próprio futuro, e não deixe que ninguém lhe atropele de surpresa. Corra na contra-mão.

Correr na contra-mão também é mais interessante porque você é mais notado do que se estivesse correndo na mesma direção da grande maioria. E se você é notado por ser diferente, é bom aceitar a idéia de ser repreendido por uns e elogiado por outros. Unanimidade não combina com quem faz as coisas de uma forma diferente, com quem inova e chama a atenção. Se quiser a aceitação de todos, se quiser não incomodar ninguém, conforme-se com a idéia de ter sempre as mesmas idéias, seguir as mesmas regras, andar na mesmice. Fazendo isso, é bom aceitar também a idéia que você jamais se destacará, será um ilustre "normal". Se você quer brilhar, construir uma carreira brilhante, tenha a ousadia de ter suas próprias e inovadoras idéias e, assim, seja notado, seja percebido. Você precisa ter um diferencial, que marque sua existência. Marca igual a dos outros, com os mesmos atributos e identidades não é marca, é cópia mal feita, é apelido. Já viu aqueles funcionários que a gente ironicamente agrega o sobrenome do chefe ao deles? Pois é, cópias fiéis. Sem autenticidade. Lógico que sendo diferente você corre o risco de ser aplaudido ou vaiado. Mas isso é natural a quem deseja estar no palco. Quem não quer correr esse risco vá para a platéia. Isso vale tanto para você, como também para sua empresa. Inove, corra na contra-mão.

Uma última observação. Não tente fazer isso com seu carro. Além de uma bela multa, a probabilidade de um acidente é quase certa. Essa analogia só é factível porque imagino você correndo no sentido contrário mas à pé ou de bicicleta, no máximo. Ou seja, valendo-se unicamente de suas forças. Nessa analogia, os carros são os grandes paradigmas, ou idéias já sedimentadas no inconsciente coletivo. Nelas embarcam a grande maioria dos clientes bem como dos concorrentes. A diferença é que os clientes andam nesses carros, via de regra, olhando para fora, em busca de algo diferente que lhes chame a atenção. A sorte é que a maioria dos concorrentes se fixa na direção dos carros, e olha apenas para o fluxo. Quando vêem alguma idéia correndo em direção oposta, a grande maioria deles prefere encontrar uma desculpa para justificar porque ela está errada. Que bom! Pois quando sua idéia for suficientemente aceita, e todos começarem a querer copiar seu movimento, seguindo-o, você então terá estabelecido uma tendência ou até mesmo uma categoria. Mas, cuidado! Quando uma idéia começa a ser seguida pela maioria ela acaba de se transformar num novo paradigma. Não suba nesse carro. Nesse instante, não caia na ilusão de querer andar com a maioria, liderando esse processo. Não existem líderes de idéias. Existem líderes de setores, de mercados. Se os concorrentes começarem a seguí-las, não se encante em querer ser o líder da idéia. É hora de, mais uma vez, andar de novo na contra-mão, talvez em outra rua, ou até mesmo na mesma, tendo a coragem de tornar obsoleto o seu produto, ou suas próprias idéias. Antes que alguém o faça, atropelando suas conquistas, sem sequer lhe dar tempo para uma reação. É essa atitude que o fará líder de um setor de um mercado ou de uma atividade. Faça como os campeões, os gênios e os loucos, corra na contra-mão. 

Ooops. Desculpe. Tive que desviar de um louco que quase me atropela, vindo no sentido contrário. Ainda bem que eu o vi a tempo.

Abraços, bençãos e SUCESSO!
 
Paulo Angelim
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