Vamos
admitir, logo de saída: detestamos as contrariedades; se pudermos, evitamos
à todo custo situações que nos contrariem. Segundo o minidicionário Ruth
Rocha, contrariedade significa contra tempo, desgosto. Diante desses
significados fica fácil entender porque, naturalmente, fugimos à condição
de contrariados (ainda segundo o dicionário, descontentes, aborrecidos,
zangados). É natural imaginarmos que as pessoas prefiram não receber oposição
aos seus pensamentos ou vontades e desejos. Mas, infelizmente, ou
felizmente, não é assim que o mundo funciona. Somos contrariados em nossos
pensamentos, desejos e atitudes, a todo instante. Em casa, nos
relacionamentos e, principalmente, no trabalho. Neste último, não nos
faltam pessoas capazes de se levantarem contra nossas idéias e projetos.
Pior ainda quando essas têm poder de barrá-los. A primeira idéia é:
“Ah, se pudesse simplesmente eliminar essa pessoa!”; ou “Por que precisa
existir esse tipo de gente?” Respondo-lhe: pela mesma razão que não
existiriam jogadores excepcionais se não existissem defensores nos
times contrários, se não existissem bloqueios, redes, ou seja, se não
existissem barreiras. Você sairia de casa, ou ligaria sua TV para assistir
a um jogo com somente um time, sem adversário? Quanto mais difícil é a
oposição, mais valorizado se torna o vencedor.
Voltando
para as contrariedades na sua vida, você só tem 3 saídas:
1)
Evitar as contrariedades, não se posicionando com autenticidade,
deixando de emitir sua própria opinião, concordando com tudo e todos. Não
tenha dúvida que essa é uma das formas mais rápidas de se transformar em
“ninguém”.
2)
Diante das contrariedades surgidas em decorrência de suas posições
ou pensamentos, recuar de seu ponto, admitir que o mundo está contra você,
e que o certo seria mudar de casa, de namorada ou cônjuge e,
principalmente, mudar de emprego, afinal “ninguém nessa empresa pensa
como eu?” Essa é a típica situação em que auto-afirmamos que sabemos
de tudo, somos donos da verdade, e o problema é que “as pessoas não me
entendem!” É óbvio que existem casos em que realmente seus superiores
estão equivocados, ou ultrapassados em suas visões. Mesmo assim, você
deve optar pela posição explicada a seguir.
3) Simplesmente admita, mentalmente, que posições contrárias às suas são absolutamente necessárias ao seu crescimento pessoal, seja na família, socialmente ou profissionalmente. Ao invés de se fechar na sua posição, entre num processo dialético, de análise sincera e responsável dos “porquês” que levam a outra parte a pensar diferente. Tente pensar sob o ponto de vista de quem está se opondo a você. Pergunte, questione, pondere, sempre com todo o respeito.
Das duas uma: depois do diálogo, ou você reafirma sua certeza com relação à sua posição, ou você conclui que existiam outros aspectos que você não estava enxergando e que são vitais para melhor construir e definir o que você estava defendendo.
P.S.:
Não fique constrangido em me contrariar,
não concordando com o que foi escrito. Mas, com respeito, emita sua opinião.
É perfeitamente admissível que eu esteja errado. Entendeu?
Abraços, bençãos e SUCESSO!