MARKETING - Artigos de Colaboradores
A
guerra entre Davi e Golias
Fábio
Violin
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De
que lugar vem o primeiro tiro...
A concorrência entre empresas atualmente ganhou uma
perspectiva diferente da tradicionalmente conhecida. Anteriormente
as linhas e divisões eram bem mais claras e definidas, hoje, o difícil
é saber de que lugar o tiro vai partir.
Se analisarmos com calma chegaremos a conclusão que
anteriormente os maiores concorrentes na área de gravadoras eram
bem definidos, tínhamos a Universal disputando espaço com a BMG,
que também disputava fatias de mercado com a Som Livre e assim por
diante. Pepsi
e a Coca-Cola, uma representava a principal concorrente da outra.
Entre os bancos era a mesma coisa, o Bradesco disputando espaço com
a Caixa, com o BB entre outros.Tínhamos a Zoomp concorrendo com a
Levi’s, que também concorria com a Fórum. Analisando
a faixa de concorrentes reais e potenciais pode-se perceber que a
disputa por mercado é muito mais ampla. A probabilidade de que uma
empresa seja atacada por concorrentes menores é mais forte se
considerado a grande quantidade de empresas emergentes que vem
surgindo além das já conhecidas e tradicionalmente reconhecidas. Hoje
a Sadia e a Perdigão disputam espaço com pequenas e médias
empresas regionais, que em muitos casos possuem não notoriedade das
marcas tradicionais, mas uma possibilidade de flexibilização em
sua linha de produtos e serviços no atendimento aos consumidores
que não podem ser desconsideradas. As
conhecidas “tubainas” aos poucos vieram ganhando participação
de mercado e ocupando espaço nos pontos de vendas , sua participação
gira em torno de mais de 20% do mercado atualmente além do
crescimento dos não gasosos. Ora, se elas ocupam este espaço, alguém
o perdeu. Gravadoras
vem concorrendo com os cd’s piratas e a internet, numa briga as
vezes até injusta. As grandes empresas da moda disputam o
consumidor com pequenas facções e marcas regionais, e os exemplos
poderiam prosseguir por diversas linhas. No
entanto, o que é importante perceber é que a diferença em termos
de qualidade de produtos e serviços vem diminuindo com o passar do
tempo, anteriormente as grandes marcas possuíam sua notoriedade
advinda de seu poder de penetração de mercado principalmente através
da marca e qualidade dos produtos e serviços. Com
o passar do tempo o acesso a tecnologia e a profissionalização das
empresas de menor porte conseguiram mostrar que a dança não é
somente entre os grandes, o pequeno também procura (e vem
encontrando) seu par para a valsa. Os
concorrentes emergentes (geralmente pequenos e médios) vem ocupando
um espaço anteriormente não imaginado, ao irmos as compras nos
supermercados podemos encontrar as marcas tradicionais dividindo
espaço com os pequenos. Existe
uma tendência latente de que tais concorrentes emergentes consigam
personalizar de forma mais contundente sua forma de atuação junto
aos varejistas e por conseqüência estar freqüentemente disponível
nos pontos de venda. A principio esta relação se dava em função
do preço mais baixo, hoje já podemos perceber que existem outros
atributos oferecidos e que vem impactando contra a venda dos grandes
como por exemplo o tempo de entrega, os prazos e condições
oferecidos, os serviços de pós-venda entre vários outros.
Anteriormente os pequenos e médios não possuíam ao menos
planilhas de custos detalhadas, hoje já encontramos empresas destes
portes com uma bem delineada estratégia competitiva, muito mais
refinada do que a 3, 4 ou 5 anos atrás. Diversas
destas empresas emergentes vem conseguindo aproveitar a
potencialidade e disponibilidade de matérias-primas e componentes
regionais em favor da diminuição de custos e ganhos de tempo,
aproveitando as diferenças em termos de impostos e repassando para
seus produtos e tornando-os mais atraentes doq eu anteriormente
eram. Antes
se dizia que as pequenas deveriam aprender comas grandes, hoje já
temos valiosas lições de pequenas e médias empresas que precisam
ser observadas pelas marcas tradicionais.
As fronteiras atuais da concorrência nunca foram tão amplas
e fragmentadas.Algumas lições que os grandes deveriam considerar
atualmente incluem: Personalização
no atendimento; Flexibilização
de faixas de preços e prazos; Diferenciações
regionais; Formação
de parcerias com clientes e revendedores; Mudanças
no comportamento do consumidor e seus níveis de exigência; Entre
diversas outras. Sem
medo de dizer bobagem pode-se afirmar que nos dias de hoje não é o
grande que engole o pequeno...É o mais rápido que toma espaço do
mais lento. Com
isto não se quer afirmar que as grandes estão condenadas, ou que
irão acabar, o que se quer dizer é que as fronteiras da competição
não são mais delimitadas pelo tamanho e sim pela capacidade de
adequação com o mercado. Além
do que não é mais privilégio das grandes a profissionalização,
os custos rigorosamente controlados, o planejamento estratégico e
mercadológico, a logística e as características de produtos e
serviços.
Fábio Violin |
Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor