MARKETING - Artigos de Colaboradores
Estratégia
como revolução organizacional
Tânia Maria Zambelli de
Almeida Costa*
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Para
as organizações não basta melhorar as coisas, nem simplesmente
resolver os problemas racionalmente. É preciso mudar tudo,
revolucionar. Gary Hamel defende esse ponto de vista e fala do fim
da Era do Progresso e da chegada da Revolução. Nesta nova era as
oportunidades vêm e vão à velocidade da luz. É a velha-guarda versus
a vanguarda. O poderio do estabelecido versus a força da
imaginação. Portanto, o desafio é superar as inovações dos
inovadores. Não basta reformular o produto ou o serviço. É
preciso reformular também o conceito do negócio, imaginando soluções
completamente novas para as necessidades dos clientes. É mudar o
referencial. É preciso experimentar o novo, deixando de lado o
pensamento sistematizado, automatizado. Dessa forma, pode-se chegar
ao conhecimento e à compreensão dessa nova era.
O
segredo é elaborar estratégias que gerem novas receitas e que
sejam revolucionárias independentemente do processo de planejamento
anual, daquele ritual bem-ensaiado. É dessa forma que a organização
tem que criar suas estratégias, para que ela não fique presa,
limitada ao escopo da descoberta, à amplitude do envolvimento e à
intensidade do esforço intelectual. Porque o insight básico para
criação de estratégias, não deriva de processos de planejamento;
ele é resultado de um coquetel de circunstâncias fortuitas,
desejo, curiosidade, ambição e necessidade. Assim,
a possibilidade das organizações de prosperar vai depender da
aptidão de reimaginar a essência de seu propósito e da criação
contínua de novos rumos. Para que isso aconteça é preciso ter nas
organizações, guerrilheiros altamente motivados e dotados de
grande autonomia e não simplesmente soldados diligentes que se lançam
em massa contra o inimigo. Porque, em algum lugar tem uma arma
apontada contra uma empresa. Em algum lugar há um desconhecido
concorrente ainda por nascer, que tornará a estratégia obsoleta.
Por isso é impossível esquivar da bala – é preciso atirar
primeiro. As
organizações precisam então se preparar para competir, avaliando
as forças que influenciam a competição no mercado e as
respectivas causas subjacentes. Elas não podem separar o pensamento
da ação, porque a conexão íntima entre eles além de ser o
segredo da criação de uma arte é também da criação de uma
estratégia. Mas,
tem que ser nesta ordem? Henry Mintzberg exemplifica muito
bem esta questão ao tomar como base as experiências de uma
escultora. Quando ela pega a argila para fazer um biscuit e a mesma
adere ao pino móvel e vai tomando forma arredondada, pode surgir
uma nova idéia e a escultora passa a fazer um vaso cilíndrico.
Assim, uma idéia leva a outra até que um novo padrão surja. A ação
estimulou o pensamento e isso acarretou o surgimento de uma estratégia. Nesta
metáfora, o gerente é como a escultora e a estratégia é sua
argila. A escultora tem consciência que está situada entre suas
experiências passadas e suas perspectivas para o futuro. O produto
que toma forma, provavelmente, reflete parte do seu trabalho
passado. Mas ela pode se afastar dele e seguir nova direção. Assim
como a escultora é o gerente. E caso sejam escultores de verdade,
levam para seu trabalho um conhecimento íntimo dos materiais que
utilizam. Isso é a essência da criação artesanal de uma estratégia. Bill
Gates, quando diz que “A Microsoft está dois anos à frente do
fracasso”, ele sabe que não é apenas o ciclo de vida dos
produtos que está encolhendo, mas que, os ciclos de vida das estratégias
também estão cada vez mais curtos. Por isso, as organizações
devem ser capaz de reinventar suas estratégias não apenas uma vez
por década, mas de forma contínua, ano após ano. A dificuldade
que algumas encontram é de perceberem as inovações das estratégias,
porque na maioria delas o inovador está afastado do líder através
de níveis hierárquicos. Assim,
desenvolver uma estratégia é criar uma posição exclusiva e
valiosa envolvendo um diferente conjunto de atividades, porque se
houvesse uma única posição ideal não haveria necessidade dela.
As organizações enfrentariam um imperativo simples – ganhar a
corrida para descobrir e se apropriar da posição única. Mas,
se a criação de estratégias é tão importante para o desempenho
de uma organização, por que tantas empresas não têm estratégia?
Por que os gerentes evitam as escolhas estratégicas? Em geral, as
ameaças à estratégia são encaradas como algo de fora da empresa,
em razão de mudanças na tecnologia ou no comportamento dos
concorrentes. Embora as mudanças externas por vezes se constituam
em problemas, as maiores ameaças na maioria das vezes emanam de
fontes internas. Para
superar estas ameaças as organizações precisam, essencialmente,
de líderes fortes dispostos a fazer escolhas, a dar lições de
estratégia às pessoas, estabelecer limites e dizer não. Porque, a
nova ordem industrial é “apontar fogo, fogo... e apontar mais uma
vez, fogo, fogo, porque não há mais tempo para a etapa preparar”.
A meta é um modelo empresarial radicalmente novo, onde a concorrência
se dará não apenas entre modelos empresariais, mas também entre
regimes de inovação. E
para o desenvolvimento de uma estratégia é preciso que a empresa
faça uma previsão do futuro, que vai orientá-la a tomar grandes
decisões sobre seu foco, o investimento dos recursos e a coordenação
das atividades. Ela não pode elaborar estratégias com base em
previsões acanhadas a respeito do futuro, porque esta é uma
postura mental totalmente errada em um mundo imprevisível, cheio de
incertezas. Portanto,
a criação de uma estratégia, como o gerenciamento de uma arte,
requer uma síntese natural do futuro, do presente e do passado. As
organizações que não quiserem ficar na estrada comendo a poeira
de seus competidores devem fazer mais do que tentar. O importante é
pensar em conseguir aprender e se divertir na agitação, reduzir o
apego à lógica e deixar de lado a obsessão pelo controle. Talvez
assim, elas conseguirão planejar estratégias de utilidade moderada
para os negócios e para a vida das pessoas. E se as estratégias não
funcionarem, pelo menos todos estarão se divertindo mais. *Administradora
de Empresas, especialista em Marketing e Desenvolvimento de Recursos
Humanos e aluna do curso Mestrado Profissional de Administração. e-mail:
tmzac@zaz.com.br |
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