MARKETING - Artigos de Colaboradores
Conversando
sobre gestão estratégica
Nildo Leite
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Sabemos
que manter a competitividade em alta é um desafio permanente para
todas as empresas. Uma das “ferramentas” para sustentar essa
capacidade é a gestão estratégica. É um processo e deve ser de
responsabilidade da alta administração. Entretanto, deve ser
compartilhado com outros níveis de gerência, quando houver,
buscando o envolvimento e comprometimento de todos para o planejar,
o gerenciar, o executar, o acompanhar e o de corrigir rumos quando
necessário. É um processo macro e essencial para a condução de
um negócio marcado nos dias de hoje pela necessidade de mudanças
muitas vezes radicais, inúmeras turbulências, etc. A
gestão estratégica pode ser implementada, considerando-se as
proporções e necessidades, em grandes, médias e também pequenas
empresas. Ao pensar em adotá-la, faz-se necessário em primeira
instancia, a vontade e a disposição. A
partir do momento em que se decide realmente pela gestão estratégica
do negócio, o passo seguinte é a elaboração do plano. Vale
lembrar que se trata de atividade que necessita de investimento em
tempo e em dinheiro. Faço essa lembrança por já ter visto planos
“engavetados” ou mau implementados. Não é uma tarefa “do
outro mundo” mas também não é simples. Exige, entre outras
coisas, informações consistentes, coerentes, relevantes e em
sintonia com o mercado, conhecimento teórico-prático da área de
planejamento estratégico, postura, firmeza de propósitos,
seriedade e liderança. Na
elaboração do plano, deveremos atentar para a dimensão do tempo
de abrangência e as etapas. Quando citamos etapas, lembramos de que é elementar analisarmos os ambientes da empresa. Devemos considerar para a análise do ambiente externo os seguintes componentes: econômico, político, legal, demográfico, tecnológico, social e natural. Alem desses, não podemos esquecer da análise da concorrência, da probabilidade de novos competidores, dos produtos e ou serviços que podem ou substituem os nossos em alguma ocasião/situação, os fornecedores existentes e os consumidores/clientes. Cabe analisar também as tendências e os números do(s) segmento (s) de mercado em que a empresa atua. Desta análise, identificamos as oportunidades e as ameaças tanto presentes como futuros. Bom lembrar que uma ameaça pode vir a tornar-se oportunidade. Para
a análise do ambiente interno, consideramos, em geral, os aspectos
inerentes às áreas de Marketing, finanças, recursos humanos e
produção da empresa. Esta análise tem por objetivo mostrar-nos as
nossas deficiências e qualidades, ou seja, nossos pontos fortes e
fracos. Não podemos esquecer de estabelecer uma comparação com
outras empresas do setor, sejam elas concorrentes diretas ou
indiretas ou, ainda, potenciais concorrentes. Após esta análise, elaboramos as declarações da “visão” e da “missão” da empresa, ou seja, deveremos estabelecer a posição que desejamos estar no futuro e as atividades que deveremos concentrar nossos esforços para alcançarmos tal posição. Tanto
para a visão quanto para a missão, devemos defini-las de forma
simples e clara. É preciso que todos na empresa entendam, partilhem
e sintam-se motivados. Na
missão, dentre os tópicos que podem ser abordados podemos citar:
tecnologia, qualidade,
responsabilidade social, compromissos com os clientes internos e
externos e com a sociedade. Chamo a atenção para procurar
evidenciar na “missão” o conceito do negócio. Recomendo,
após as declarações da “visão” e da “missão” o
estabelecimento dos “FaCS” (Fatores Críticos de Sucesso) para o
negócio. Os “FaCS” são um número limitado de condições que
asseguram a consecução da missão da organização. São os
aspectos-chave nos quais as coisas têm que dar certo para obtenção
dos resultados esperados. Elaboradas
a “visão” e a “missão” e estabelecidos os “FaCS”
devemos declarar os “princípios” e os “valores” que nortearão
a empresa e que contribuam de forma elucidativa. Para estas declarações
“a prática deverá refletir o discurso”. Não basta apenas
escrever, devemos praticá-las e o não cumprimento levará ao descrédito.
Normalmente,
algumas dessas declarações envolvem questões éticas. Não
devemos apenas cita-las para “fazer de conta” que praticamos na
empresa e até individualmente. A sociedade de uma forma geral não
aceita nem tolera mais ser ludibriada e enganada. Ao
partirmos para a definição dos objetivos da empresa, uma outra
etapa, lembramos que estes deverão ser claros,
entendidos, escritos e comunicados, quantitativos quando for o caso,
realizáveis para que funcionem como tensores
motivacionais,
operacionalizáveis e consistentes. Deve
ser compartilhado e absorvido por todos os integrantes da equipe. Vencidas
as etapas anteriores, a empresa deverá identificar e desenvolver
estratégias gerais e funcionais, de forma combinada, para atuar,
posicionar-se e alcançar os objetivos propostos. Para
as duas etapas anteriores, devemos tomar o cuidado para com o
planejamento da estrutura da organização, ou seja, entre outros
assuntos, atentar para as instalações e equipamentos, o
estabelecimento de procedimentos necessários e a preparação
dos colaboradores para o exercício das suas atividades. Neste último
aspecto, deveremos fornecer os meios para auxilia-los nos seus
desempenhos e no trabalho em equipe. Cabe, inclusive, uma melhor
identificação do perfil dos colaboradores para que possam até
trabalhar multidisciplinarmente e desenvolver suas competências e
potencialidades. Agora
é a hora de desenvolver um plano contendo as ações. Essas ações devem derivar das estratégias. Normalmente
utilizamos um quadro contendo a descrição de cada ação, como será
desenvolvida e implementada, quem será o responsável por cada uma
delas, os prazos para a implementação e quanto custará para a
empresa. A
última etapa a ser elaborada é a de como será feito o controle e
a auditagem da gestão em curso. Recomendo, entre outros pontos,
medir o desempenho e comparar esse desempenho medido com os padrões
existentes, fazer uma análise concentrada, desenvolver soluções
alternativas e tomar atitudes corretivas caso haja necessidade. Alguns
lembretes/recomendações importantes: ·
Gestores
deverão procurar ter a visão de negócio e não apenas dos seus
produtos e/ou serviços; ·
Gestores
deverão procurar repensar os seus e os “paradigmas” da organização; ·
Gestores
não podem ser paternalistas; ·
Gestores
não podem e nem devem reter informações como forma (ultrapassada)
de assegurar o poder. ·
A
comunicação na empresa deverá ser em todos os sentidos (de cima
para baixo, de baixo para cima e horizontalizada) e transparente,
fortalecendo a participação das pessoas em todos os processos. É
nesse novo ambiente que os colaboradores estão ganhando mais espaço
e contribuindo; ·
Quando
uma empresa decidir contratar profissionais no mercado para
auxilia-las, sejam elas para colaborar regidos por vínculo empregatício
ou mesmo consultores externos, deve avaliá-los em termos de
conhecimento, competência técnica, capacidade
de relacionar-se e de trabalhar em equipe, experiência, honestidade
e caráter. ·
Todos
numa empresa devem atentar para a relação com os fornecedores,
comunidade onde está inserida, enfim, com todos os públicos que,
de alguma forma, fazem parte da sua existência. ·
É
preciso que os gestores sejam líderes para ouvir e dar a devida
importância às sugestões, críticas e análises dos
colaboradores. Valorizar o que o cliente interno diz é essencial
para conseguir atender o cliente externo superando suas
expectativas. Não esquecer de que a satisfação do cliente interno
estará repercutindo na satisfação e manutenção do cliente
externo. Nildo Leite é Consultor de Empresas, coordenador e professor de cursos de
pós-graduação e graduação em instituições de ensino em
Salvador-Bahia. É mestrando em Marketing e Gestão Empresarial pela Universidade Internacional de Lisboa
– Portugal, pós-graduado
em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP),
em Administração com ênfase em Recursos Humanos pela Universidade
Estácio de Sá (UES-RJ) e em Estudos de Política e Estratégias
Nacionais pela Escola Superior de Guerra (ESG/ADESG-BA). Email: nildo.leite@uol.com.br |
Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor