MARKETING - Artigos de Colaboradores
Não
consumimos produtos, mas a imagem que temos deles
Simone Costa
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Vamos
fazer um teste? Vou escrever algumas palavras para você anotar os
nomes que elas lhe trazem à mente: sabão em pó, refrigerante,
chocolates, sorvetes, refrigerador, esponja de aço. Agora,
lá no final deste texto, veja se acertei suas respostas. Acertei?
Todas? Puxa!! Como dizem: a propaganda é a alma do negócio. Mas,
hoje em dia, não é só propaganda que conta. Prova disso é a
brincadeira feita acima. Faça-a com outros colegas e perceberá que
certos nomes estão inculcados nas pessoas: símbolos de confiança,
credibilidade, qualidade, perfeição e até carinho. Atributos e
reconhecimento adquiridos ao longo de anos, de um relacionamento, de
uma história. Sim, existem pessoas que viveram (e vivem) intensas
histórias de amor com algumas marcas: é o sabão tradicional da
família, que vira-e-mexe suscita as travessuras da infância. O
perfume do sabonete que influenciou a compra do carro. O chocolate
utilizado como artimanha para engatilhar um namoro. O pneu furado
que promoveu a amizade, transformada em casamento. Quantos casos de
relacionamentos entre clientes e produtos não temos? Criamos um vínculo
emocional, um sentimento pela marca que ultrapassa os limites do
produto (e, muitas vezes, a lógica humana). Ele deixa de ser algo
que acaba, estraga e se quebra, para tornar-se um ser perfeito e,
preferencialmente, eterno. Você já lamentou aquela camisa
manchada? (Se chorou, o caso é mais grave...). Quem
trabalha na área de atendimento ao cliente sabe como é comum
receber cartas e ligações do tipo: EU AMO "nome da
marca". E é esse sentimento que nos direciona na hora de
comprar determinado produto: a imagem que temos dele, misto do
produto em si, das pessoas que trabalham na fábrica, que o oferecem
no supermercado, atendem-nos ao telefone. O nome do produto
representa um todo e serve de referência quando temos outra opção
no mercado: se vemos dois produtos de marcas distintas, uma
conhecida e outra não, com o mesmo preço, qual compramos?
Certamente o da marca conhecida. Acreditamos na marca. Temos uma boa
“imagem” dela, uma boa (con)vivência com ela. Porém, se já
tivemos alguma experiência desagradável com essa marca ou não
temos um bom relacionamento com ela, compramos o da outra “só
para experimentar...”. Em
alguns casos, nunca tivemos um produto da marca e nem nos dispomos a
comprar pela imagem que ela tem no mercado. Quer um exemplo? A frase
"começou comprando errado" o que te lembra? Será que
esse atributo é verdadeiro? Temos
uma expectativa psicológica em relação à marca e esperamos que a
empresa tenha as mesmas qualificações dos produtos que levam seu
nome. Daí, não é de se estranhar um consumidor ligando para o
0800 a fim de reclamar que um vendedor estacionou o carro da
empresa em frente a uma guia rebaixada. Acreditem ou não, isso
acontece. Por quê? Porque, se o produto é excelente, tudo o que é
relacionado à empresa também tem que ser. É assim que pensa o
cliente. Não precisamos ir muito longe para confirmarmos essa
“tese”. Pense em uma empresa que você acredita ser perfeita, a
melhor do mundo? Agora procure o telefone do SAC em uma lista
qualquer. Certamente você espera ser muito bem atendido. Mas, se não
for, se quem atendê-lo mostrar-se desinteressado, mal-educado ou
antipático, aquela imagem de “empresa perfeita” ganhará um
borrãozinho. Se for numa loja qualquer, comprar um produto da mesma
empresa e tiver problemas com o aparelho, será mais um borrãozinho.
Caso tenha “desentendimentos” com o pessoal da Assistência Técnica,
outro borrão. Assim, se as coisas não continuarem bem, daqui a
pouco a imagem de mundo perfeito mais parecerá um quadro de
Salvador Dali! Manter
a boa imagem da marca (da própria empresa, na verdade) é mais um
desafio que temos nos dias de hoje. Daí, o desejo de implantar ações
de CRM e buscar meios de conquistar e fidelizar o cliente. Daí também
a necessidade de todos trabalharem sob os mesmos conceitos e estarem
empenhados em aplicá-los nas relações cliente/empresa. Como disse
Philip Kotler: "Não consumimos produtos, mas a imagem que
temos deles.(1)".
OMO, ANTÁRTICA (ou COCA-COLA), NESTLÉ, KIBON, BRASTEMP, BOMBRIL. Simone Costa
Analista de Serviços
a Clientes
simone@clientware.com.br |
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