MARKETING - Artigos de Colaboradores

Dever não quero. Compro só o que puder.
Luis Sucupira*

A crise de confiança e o medo do desemprego
 
Nestes últimos dois meses, nas minhas andanças pela feira do bairro, conversando com lojistas, fabricantes e prestadores de serviços percebi uma crise de confiança no futuro da economia. Até ai nenhuma novidade. Geralmente é sempre assim: quando o mercado fica nervoso o consumidor se retrai e evita comprar o que pode ser adiado, foge de qualquer crediário com mais de 3 prestações e fica de olho no faturamento da empresa, no humor do patrão e atento a qualquer boato de enxugamento na folha de pagamento, leia-se possibilidade de desemprego.
 
A onda de choque se amplia e começa atingir a revenda que temendo não ter a quem vender não compra.
 
Aumentando o ciclo da onda de choque chega-se à indústria que pára de produzir, dá férias coletivas e começa a demitir. Enfim, fica quase todo mundo parado esperando que ‘os ventos melhorem’.
 
É interessante observar algumas peculiaridades comportamentais desta crise. Quando digo que ela se trata de uma ‘Crise de Confiança’ não é a toa. O consumidor com medo de perder o emprego, ficar cheio de contas para pagar e com nome sujo deixa de comprar. O revendedor com medo de não vender e perder crédito prefere utilizar suas reservas para sobreviver, esperando o nervosismo passar. O fabricante retrata com fornecedores, manda muita gente descansar em casa e outros tantos para a fila do seguro-desemprego. É dessa fila que todo mundo tem medo, inclusive os empresários. Não se engane. Se avaliarmos bem, talvez existam muitos ex-empresários na fila de desempregados. Todos misturados tentando apenas sobreviver. A Crise de Confiança atinge todo mundo.
 
O antigo ditado está mudando, se já não mudou. Antes era: “Devo não nego. Pago quando puder”.Agora parece ser algo mais ou menos assim: “Dever não quero. Compro só o que puder”.
 
Esta Crise de Confiança tem muitos culpados e uma causa. O Governo(sempre ele) vendeu todo nosso patrimônio para pagar dívidas. Gastou tudo, não tem mais nada para vender e precisa pagar uma série de contas. É mais ou menos assim: Fulano ganha 10000 e deve 20000. Precisa de 1000 para pagar os juros da sua dívida. Como não tem mais patrimônio seu último recurso é a sua receita. Mesmo cortando despesas e conquistando uma folga na receita, Fulano, só consegue abater parte dos juros. Assim, Fulano pede mais dinheiro. Um dia os credores ficam preocupados acreditando que ele não possa pagar e ameaçam não entregar mais dinheiro. Só farão isso se Fulano aceitar pagar mais juros. Sem alternativa o Fulano aceita e a sua avaliação de risco sobe, ou seja, emprestar ao Fulano é muito arriscado.
 
Outra causa é a inexplicável subida mensal das tarifas dos ditos preços controlados. Essa tarifação constante afeta todo mundo e o pior: ninguém pode repassar para o preço final senão encalha.
 
Mas como a crise é de confiança e o medo maior é do desemprego, o Governo, que também tem medo de perder um emprego de oito anos está tentando manter-se na ‘firma’ buscando eleger um preposto seu.
 
Por medo de calote a maioria não empresta dinheiro e nem vende mercadorias. Por medo de perder o emprego não se faz dívida de longo prazo.
Por medo de passar por tudo isso novamente, pensa-se duas vezes em manter o emprego do governo atual.
 
           
Luis Sucupira Neto
Gerente de Marketing e Comunicação Microsol
microsol.sp@uol.com.br
www.microsol.com.br

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