MARKETING - Artigos de Colaboradores

Dando vida a um negócio
Marcos Ricarte

                 Luz, câmera, ação. É assim que o diretor determina o início dos trabalhos num set de filmagem, dando dinamicidade àquilo que está somente no roteiro. Se pudéssemos transportar isso para o ambiente empresarial, poderíamos dizer mais ou menos o seguinte: Estrutura, pessoas, ação! De uma forma simplista, é disso que o empreendedor precisa para animar uma empresa. 

É dando essa explicação superficial que inicio a terceira etapa do processo de criação e implantação de um empreendimento, que consiste em dar vida, ou como prefiro dizer, animar o negócio.

 Portanto, podemos conceituar a animação de um negócio como sendo o processo de dar dinamicidade à Estrutura, ligando os recursos humanos disponíveis aos processos estabelecidos. Na verdade, animar uma organização é dar a ela um aspecto humano.

 É exatamente neste aspecto que o empreendedor deve tomar muito cuidado. Quando se coloca o aspecto humano em questão, não podemos esquecer que o homem traz consigo uma série de vícios, problemas e defeitos naturais e que não podem ser desconsiderados. Neste caso, há somente uma coisa a se fazer, trabalhar bem a questão do recrutamento e seleção de pessoal para que esses impactos sejam os menores possíveis.

 Trazer o pessoal para a estrutura consiste num passo fundamental no processo de animação de uma organização. O empreendedor precisa saber recrutar as pessoas certas para os cargos certos, a ponto de dar à estrutura os alicerces necessários para o autofuncionamento, ou seja, as pessoas devem ser competentes o bastante para que a empresa possa caminhar por si só.

 Note bem que essa é uma etapa bastante importante no processo, pois a má escolha de profissionais pode comprometer o caminho da empresa rumo ao alcance da visão, estabelecida na primeira etapa. É importante que o empreendedor saiba recrutar, mas se este não é o seu forte, dependendo do porte do negócio, pode ser mais vantajoso contratar pessoas ou empresas especialistas nisso. Não esqueça que a tarefa se torna mais fácil se houver uma descrição minuciosa dos cargos a serem ocupados.

 Uma vez tendo recrutado todos os Recursos Humanos necessários para o funcionamento da empresa, é hora de ligar as pessoas às tarefas definidas na etapa de arquitetura do negócio. Esse é o momento de definir quem faz o que, como, quando e para quem. A partir de então, a empresa inicia um processo crescente de funcionamento até que se atinja a plena capacidade. Para isso é necessário que as pessoas se adaptem aos processos. Nesta fase, o empreendedor deve atuar como orientador, indicando como devem ser executadas as tarefas, mostrando aos gerentes como se deve administrar seus subordinados sem esquecer de tratar também da estratégia da empresa, que é um fator importantíssimo.

 Ao passo que essa adaptação vai acontecendo, o empreendedor deve orientar sempre a equipe na direção da visão estabelecida. Como sabemos, a visão é uma projeção de futuro de uma posição de mercado ou de um produto a ser desenvolvido para satisfazer determinada necessidade. O empreendedor, ao iniciar o projeto de implantação de seu negócio, estabeleceu uma visão. Para que ela seja atingida, toda estrutura da empresa deve trabalhar objetivando essa visão. Sem esse trabalho de constante orientação, dizemos que a empresa se torna acéfala, sem rumo ou orientação.

 Portanto a grande questão é: O que fazer para que a empresa não perca o rumo e alcance a visão estabelecida anteriormente? A visão tem que está obrigatoriamente disseminada em todos os níveis hierárquicos da empresa. Desde o operário no chão de fábrica até o gerente comercial, não importa o cargo, todos devem saber onde a empresa quer chegar e em quanto tempo. Mais do que isso, todos devem trabalhar para tal objetivo. Portanto, dissemine a visão da empresa entre os funcionários e cobre para que ela seja alcançada.

 Como temos visto até então, o papel do empreendedor nesta etapa é decisiva. Na verdade, dizemos que esta é a primeira etapa ao qual o empreendedor tem a obrigação de exercer o papel de líder, pois é a partir daqui que o negócio começa a operar. Na verdade, mais que um referencial, o empreendedor é um elemento ativo neste processo. Saber liderar é na verdade delegar quando se deve delegar e decidir quando se deve decidir. Um verdadeiro líder é aquele que sabe a hora certa de agir, sem que passe uma imagem de autoritário. Ser líder significa obter o apoio das pessoas por que elas acreditam em você e não por que elas lhe obedecem.

 Não devemos esquecer também que todos na empresa devem ser comunicados dos desempenhos obtidos e é importante que a companhia tenha um programa de motivação constante para que os funcionários não se desestimulem face às rotinas que foram implantadas. Uma vez que algumas pessoas descobrem que estão aquém das expectativas, a não inclusão de programas deste tipo pode levar o funcionário a perder a motivação.

 A comunicação dentro da empresa deve ser a mais transparente possível, desde que a divulgação destas informações não seja prejudicial para a empresa ou para seus clientes. Porém, a prática tem mostrado que a disseminação de informações é ainda um tabu dentro das organizações. Disponibilize ao menos informações de performance dos setores da empresa, assim as pessoas saberão como estão em relação às suas metas. Com isso, elas adquirem parâmetros importantes no gerenciamento diário de suas funções.

 Concluído todo esses passos, consideramos que a empresa tem perfeita condições de andar sozinha, de autofuncionar. Na verdade, o empreendedor deu vida àquilo que estava até então no papel. É nessa hora que a competência do empreendedor é colocada à prova. Resta somente uma última etapa que consiste na monitoração do desempenho da empresa, mas como sempre digo, esse é um assunto para o próximo artigo. Até lá.

Marcos Ricarte, Diretor de Projetos, R2 Consultoria e Internet, www.r2consultoria.com.br

 Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor

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