MARKETING - Artigos de Colaboradores

Empreendedor: o arquiteto dos negócios
Marcos Ricarte

                   Dando continuidade à nossa série de artigos a respeito do processo de criação e implantação de um empreendimento, vamos abordar um assunto muito interessante que diz respeito ao projeto do negócio. Nesse momento, o empreendedor assume um papel de um verdadeiro arquiteto, com a função de desenhar toda uma organização e pensar no seu funcionamento e interligações.

 Tento comparar essa etapa de planejamento do negócio com a atividade de arquiteto, em virtude desse profissional possuir uma aguçada visão futura de uma idéia que ainda nem sequer foi colocada no papel. O arquiteto coleta todas as informações do cliente a respeito do que ele deseja: a cor preferida das paredes, quantos cômodos a casa deve possuir, os materiais desejados, etc e repassa tudo isso para um papel ou computador em diversas perspectivas, mostrando em seguida para o cliente, do qual recebe um feedback.

 Fazendo a analogia, o empreendedor nesta fase trabalha mais ou menos da mesma forma. O cliente ao invés do morador da casa, é o próprio mercado, que diz como quer que sejam os produtos, a cor, formato, quanto quer pagar e como quer receber. Partindo disso, o empreendedor, o verdadeiro arquiteto do negócio, tenta projetar a empresa ideal para aquelas exigências. Neste momento ele define o produto e lança no mercado, do qual recebe o feedback. Parece fácil, mas não é. Senão vejamos.

 Inicialmente, ao tentar criar uma arquitetura de negócio, o empreendedor tem que ter em mente o espaço de mercado que se quer ocupar. Isso foi amplamente discutido no artigo anterior, onde o empreendedor estabelece sua visão de negócio. O espaço de mercado que se deseja ocupar e como este mercado se comporta é que vai ditar toda estrutura necessária para  o empreendimento.

 Muitos empreendedores erram nesta etapa. É comum as pessoas subdimensionarem ou superdimensionarem uma estrutura baseando - se em uma análise errada do mercado alvo a ser ocupado. Um subdimensionamento pode acarretar uma disfunção do sistema, visto que foi projetada uma estrutura muito menor que a realmente necessária. Com isso faltam pessoas para alguns processos, os clientes ficam insatisfeitos e a empresa acaba por não funcionar adequadamente. Já em um superdimensionamento as conseqüências são contrárias. Investindo demais na estrutura, pode haver uma falta em outras áreas importantes para a empresa, como no Marketing por exemplo.

 É necessário que haja uma boa pesquisa de mercado antes de se projetar o modelo de negócio. Sem isso, as probabilidades de erros são maiores, podendo causar até a morte prematura do negócio.

 Conhecido isso, parte – se para a definição do produto a ser disponibilizado para esse mercado. Nesta etapa, unem – se aos profissionais de Marketing todos aqueles que de certa forma colaboram para a criação do produto, tais como os designers, engenheiros, gerentes de produção, etc.

 Conhecido o mercado e definido o produto a ser comercializado, o empreendedor tem total condições de projetar também as receitas que o negócio poderá aferir. Neste processo, há todo um embasamento em torno dos resultados anteriores.

 Seguindo mais adiante, temos que entender o que significa projetar uma estrutura de negócio. Divido uma estrutura de negócio em três partes. A estrutura física, os recursos humanos e as tarefas e procedimentos necessários para o funcionamento perfeito da máquina.

 Uma estrutura bem definida deve seguir uma série de requisitos básicos A localização é a primeira delas.  O empreendedor deve procurar localizar seu negócio o mais próximo possível de seus clientes e se possível dos seus fornecedores. Algumas vezes isso não é possível, mas um bom estudo de localização é mais que necessário nesta fase.

 Uma vez definido isso, projeta – se então a estrutura física. É necessário desenhar uma planta funcional dependendo do ramo de atuação. É necessário buscar uma estrutura onde os fluxos de trabalho não sejam prejudicados.

 Estabelecida a estrutura ideal, é a vez de projetar os recursos humanos necessários para o funcionamento da empresa. É hora de pensar nos cargos, nas funções e em quem vai fazer o que. É interessante que o empreendedor tenha em mente o desenho disso. Desenhar um simples organograma seria o mais indicado.

 Por fim faz – se necessário todo o planejamento enfocando os procedimentos indispensáveis para o funcionamento eficiente da empresa. Essa fase requer bastante esforço, visto que se torna necessário definir os processos de vendas, compras, recrutamento, seleção de pessoal, produção, etc. O empreendedor neste caso tem que possuir um senso de planejamento aguçado para definir os procedimentos da maneira mais coerente possível.

 Feito todo esse estudo, há condições de estimar os investimentos necessários para o negócio ser implantado e os custos de operação mínimos para atingir o mercado que foi projetado anteriormente. Cruzando esses dados com os de receitas previstas, pode – se calcular em quanto tempo o negócio dará lucro e o mais importante quanto dará de retorno.

 No fim, o empreendedor estará apto a implantar seu negócio com maior segurança, visto que ele terá nas suas mãos os requisitos fundamentais de um empreendimento. De início ele tem estabelecida uma visão de negócio e sabe muito bem onde quer chegar. Aliado a isso, o empreendedor possui também um amplo projeto do negócio, ou seja, produto a ser comercializado, público a ser atingido, localização e projeto de estrutura da unidade de negócio, pessoas e procedimentos necessários, dentre outras coisas. Além disso, o empreendedor tem totais condições de saber quanto vai custar esse empreendimento e em quanto tempo esse dinheiro poderá retornar.

 Assim como um arquiteto, o empreendedor se posiciona como um projetista que tem em suas mãos um sonho ou objetivo. Porém, ao contrário do primeiro profissional, onde sua função é somente projetar, o empreendedor ainda tem como obrigação dar vida àquilo que ele projetou. É exatamente isso que vamos tratar no próximo artigo. Vejo vocês na próxima.

Marcos Ricarte, Diretor de Projetos, R2 Consultoria e Internet, www.r2consultoria.com.br

 Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor

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