MARKETING - Artigos de Colaboradores

O empreendedor e o processo visionário
Marcos Ricarte

Muitos negócios já nascem mortos por não terem em seu interior uma visão pré estabelecida. A visão é sem dúvida nenhuma o primeiro passo para o estabelecimento de qualquer empresa e o empreendedor, mais do que qualquer outro, tem que ter em mente que estabelecer uma visão consistente é na verdade estabelecer as bases para um negócio de sucesso. 

                 Neste artigo de uma série de cinco vamos entender um pouco do papel do empreendedor no estabelecimento de negócios de sucesso. Esse processo compreende a visão, a criação, o funcionamento e a monitoração da organização e o aprendizado. 

Iniciando este artigo, antes de tudo temos que distinguir o empreendedor do gerente ou condutor de negócios. Entendemos como empreendedor aquele que independentemente das limitações de recursos e possibilidades, desenvolve novos negócios e parcerias, estabelecendo assim um modelo de “business”. Já um gerente ou condutor é aquele que dentro das possibilidades que lhe são dadas (capital, matéria – prima, energia, recursos humanos e outros), conduz os negócios estabelecidos pelo empreendedor. 

Portanto, o empreendedor é aquele que geralmente vai na frente, analisando os mercados, oportunidades, riscos, etc. Cabe a ele entregar tudo isso ao gerente ou condutor do negócio o qual fará todo processo de administração, deixando o empreendedor livre para buscar novos negócios, aumentando ainda mais as possibilidades de ganhos. Não que um seja melhor ou mais importante do que o outro, pelo contrário, todos tem sua importância dentro do contexto empresarial, tendo cada um suas características próprias.  

Está na alma do empreendedor agir pró – ativamente, buscando novas oportunidades, porém para que a grande maioria de suas idéias vislumbrem sucesso é necessário ter um processo visionário apurado e é isso que trataremos neste artigo. 

Temos como visão uma imagem projetada no futuro de uma posição de mercado ou de um produto a ser desenvolvido para satisfazer determinada necessidade. Estabelecer uma visão de negócios é na verdade muito mais do que simplesmente imaginar sua empresa daqui há cinco anos. É na verdade estabelecer projeções realistas dentro de uma situação atual. Engana – se quem acha que estabelecer uma visão é simples.  

Somente aqueles que tem um certo preparo estabelecem visões que num futuro próximo se concretizam. Na época em que os grandes computadores prosperavam, Bill Gates estabeleceu uma visão de que cada pessoa teria seu micro (de preferência com seus softwares). A partir de uma visão totalmente realista, a de que o PC seria um aparelho comum nos escritórios e residências, estabeleceu – se um projeto de produto que hoje responde por mais de 90% de todo o mercado, o Windows. 

Na verdade estabelecer visões é se antecipar aos demais. É a partir de uma visão bem definida que o sucesso pode ser alcançado. Analisando o outro lado, a falta de visão pode determinar a perda de mercado ou até mesmo o fim de uma empresa. Gosto de citar um exemplo clássico de falta de visão que foi a da invenção da máquina copiadora. Na época, várias empresas deixaram de investir no projeto pelo simples fato de que ela sujava o operador (por causa do pó). Mal sabiam que esta seria uma das invenções mais valorizadas de todos os tempo, basta perguntar à Xerox quantas copiadoras ela já vendeu até hoje. 

Estabelecer uma visão consiste em várias etapas fundamentais. Na maioria das vezes estabelecemos as visões empiricamente. Sem percebermos acabamos estabelecendo uma projeção que muitas vezes pode ser fora da realidade. Mais do que isso, desenvolver uma visão consiste no desenvolvimento de atitudes a qual explicarei a seguir. 

Inicialmente, para estabelecer uma visão, há a necessidade de desenvolver um interesse por uma área particular por parte do empreendedor. Tal interesse consiste na base do que será a definição fundamental, ou pivô do sistema. Sem o interesse inicial não há como desenvolver um processo visionário.

A partir do interesse, há um processo natural de entendimento do setor de negócio. É neste período que o empreeendedor acaba aprendendo as peculiaridades e especialidades do setor ao qual ele quer se inserir. Essa etapa é fundamental, pois é nele que o empreendedor terá a noção da viabilidade de desenvolver um novo negócio. 

A partir do entendimento do setor ao qual se pretende atuar, vem uma nova fase que é a detecção de novas oportunidades e ameaças ao negócio. O empreendedor tem que identificar, dentro do setor estudado, quais os fatores que podem ameaçar sua iniciativa. Esta etapa serve também para delimitar a visão, ou seja, muitas vezes acredita – se que o mercado que se deseja atuar é muito bom, porém quando analisamos as oportunidades e ameaças chegamos a conclusão que a situação não era tão boa assim, fazendo com que o empreendedor reformule sua visão. 

Detectando as oportunidades e ameaças de negócio, chega – se ao que chamamos de fase do planejamento. Esta fase é o estabelecimento da visão em si. É aqui que o empreendedor trabalha toda sua experiência e feeling para definir qual organização ele deverá desenvolver, dar vida, monitorar e aprender. O empreendedor faz um minucioso estudo de como será a organização, onde se localizará para atender ao mercado, qual a mão – de – obra necessária, o investimento, enfim, todo planejamento necessário para a instalação do empreendimento.

No fim, o empreendedor tem em suas mão um verdadeiro retrato do seu negócio, bastando agora iniciar o trabalho de implantação do que foi planejado. Assim, estabeleceu – se uma visão, pois ao estudar bastante o mercado que se pretende atuar, conseguiu – se estabelecer um processo visionário de um estabelecimento. Porém o trabalho do empreendedor não acaba aí. Há ainda todo o processo de colocar sua visão para funcionar, porém esse assunto deixaremos para um outro artigo. Até a próxima.

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