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O portador de deficiência física e o trabalho
Luiz Alberto Melhado Bezerra

Lemos nesta coluna o artigo do Dr. Fábio Luiz Pereira da Silva que enfocou de forma clara e objetiva toda a legislação que regulamenta o trabalho dos portadores de deficiência. O que temos observado na prática é que estas leis não são cumpridas e que não existe nenhum mecanismo para fiscalizar o seu cumprimento e a grande maioria dos portadores de deficiência continuam marginalizados no mercado de trabalho.

Somente a legislação não tem sido suficiente para sensibilizar os empresários para esta causa que não é somente da inserção do deficiente no mercado de trabalho mas em consequência também a sua inserção social e o uso pleno de sua cidadania.

Temos observado que existe um número crescente de empresas que se preocupam com as questões sociais e estas ações precisam ser compartilhadas para servirem de estimulo para novos projetos e o aperfeiçoamento dos já existentes.

Neste sentido gostaria de estar compartilhando nossa experiência com os leitores para dissiminar a idéia e receber sugestões para aprimorar nosso projeto.

A nossa empresa tem como filosofia a preocupação com o social e em 1994 criou a Fundação Orsa que tem como missão a formação integral do Ser Humano, em especial da criança e do adolescente em situação de risco pessoal ou social.

Motivados por estas ações o Departamento de Recursos Humanos elaborou um projeto denominado "A INCLUSÃO PROFISSIONAL E SOCIAL DE PORTADORES DE DEFICIÊNCIA’, cujo objetivo era o de criar oportunidade profissional para uma camada da população que tem dificuldades de entrar para o mercado de trabalho.

Para iniciar o projeto partimos de algumas premissas que julgamos serem de fundamental importância para a sua implantação, entre as quais podemos citar:

  • O projeto não deveria ter aspectos assistencialista por acreditarmos na capacidade e no potencial desses indivíduos em produzir, atingir metas e se integrar na sociedade.
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  • Os portadores de deficiência devem ter igualdade de salário e benefícios em relação aos praticados com os demais colaboradores da mesma função.
  • Buscar parceria com entidades especializadas e detentoras de tecnologia necessária para orientar e treinar nossos funcionários para receber estes novos colaboradores.
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Em setembro de 1999 em parceria com a SORRI - Campinas e o CINDEP( Centro de integração de Deficientes de Paulinia) demos início a implantação do projeto em nossa unidade de Paulinia.

Foram analisados em conjunto com as entidades os diversos postos de trabalho da planta para verificar os que ofereciam melhores condições de adaptação dessa mão de obra.

Os portadores de deficiência passam pelo processo seletivo da mesma forma que os demais candidatos, e em casos especiais temos o acompanhamento das entidades parceiras para que possam competir em igualdade de condições.

Desde o início do projeto já foram inclusos em nossa unidade 28 portadores de deficiência que estão totalmente integrados em suas funções e nas normas da empresa e sua produtividade é considerada muito boa por seus supervisores.

A iniciativa da empresa foi muito bem recebida em todos os níveis de colaboradores e pela comunidade local.

Temos a convicção que em quase todas as empresas há um espaço que possa ser ocupado por uma pessoa portadora de deficiência, e que as empresas que derem oportunidade de trabalho e inclusão social a estas pessoas estarão investindo no que elas tem de mais importante, que é o capital humano, e os resultados dos investimentos sem dúvida nenhuma serão bastante recompensadores.

LUIZ ALBERTO MELHADO BEZERRA
GERENTE DE ADMINISTRAÇÃO E R.H.
GRUPO ORSA - UNIDADE PAULINIA
lbezerra@grupoorsa.com.br

 Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor

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