MARKETING - Artigos de Colaboradores

Internet de Carroças: O baixo desempenho do
E-Commerce na Região Nordeste

Marcos Ricarte

Tenho conversado com muitos profissionais ligados à Internet ultimamente e um assunto vem sempre me chamando a atenção: Por que o empresário do Nordeste ainda não despertou para a Internet como negócio? Essa é uma questão difícil e as respostas podem ser as mais diversas possíveis.

De acordo com uma recente pesquisa realizada pela Ernst & Young, o Natal desse ano será um dos melhores para as empresas que vendem On Line. Na região Sul / Sudeste, esse tipo de venda representará 17% de tudo que será vendido no varejo, o que representa um aumento de 140% em relação ao ano passado, que já foi considerado formidável na época. Porém essa tendência não se aplica para a região Nordeste, onde as vendas On Line representarão somente 3% das vendas do varejo. Um outro dado interessante da pesquisa dá conta de que o gasto médio com compras On Line na região Sul e Suldeste beira a cifra de R$ 900,00 (o que se aproxima muito dos padrões de primeiro mundo). No nordeste, esse valor é infinitamente menor.

Portanto, como mostra a pesquisa acima, podemos notar que o Nordestino ainda se encontra atrasado no que diz respeito ao Comércio Eletrônico, mas quais seriam as principais causas desse fenômeno?

O principal motivo para o baixo índice apresentado na pesquisa, passa inevitavelmente pelo espírito conservador do empresariado local. Tive vários contatos com empresários bem sucedidos em seus segmentos. A grande maioria tem consciência da importância e sabe que a empresa que não tiver seu Site, relacionando–se com clientes e fornecedores, estará fora do mercado em um espaço de tempo curtíssimo. Mesmo consciente dessa importância, a maioria ainda acha muito cedo para entrar na rede ou não se acham ainda preparados para vender On Line.

Muitas dessas empresas tem estrutura para comportar um sistema On Line de pedidos e entregas, pois atualmente já contam com frota própria, telemarketing e equipe comercial montada. Empresas como essas tem todas condições de operar através de um Site de Vendas, porém não os fazem, principalmente por acharem que não estão preparadas. Enquanto essa mentalidade persistir, o Comércio Eletrônico na região nordeste estará anos-luz atrás dos principais centros do Brasil.

Porém, o problema cultural do empresariado está longe de ser o único a contribuir para o insucesso do E–Commerce na Região. Do outro lado, temos os usuários, que ainda não se adaptaram à este novo veículo de compras.
O medo de comprar pela Internet ainda perdura na mente dos usuários comuns. Em alguns casos, com razão. Na mesma pesquisa citada acima, um dado curioso chama a atenção: das empresas que praticam E–Commerce na região, cerca de 60% o fazem de forma precária, ou seja, são empresas que recebem os pedidos dos usuários pela Internet e repassam para as lojas via FAX, o que faz com que as chances de insucesso da venda aumentem consideravelmente, pois há uma probabilidade maior de erros e demora. Com isso, a má experiência se propaga em progressão geométrica, contribuindo para que mais usuários em potenciais descartem a compra On Line como opção.

Porém, alguns aspectos positivos já estão sendo disseminados e alguns tabus que antes eram tidos como fortes e imutáveis, aos poucos estão sendo quebrados. É o caso do cartão de crédito, onde o crescente investimento em segurança deixaram os usuários mais confiantes na hora da compra.

O Internauta nordestino, assim como o empresário, é muito desconfiado. Seria este um problema cultural do povo da região, onde o liberalismo e as novas idéias são vistas como coisas estranhas. Internet para o povo nordestino, ainda se resume à entretenimento e informação. Comprar então, seria somente em último caso.

Um outro fator que não podemos deixar de citar e que contribui muito para o baixo rendimento das vendas On Line no nordeste diz respeito ao alto investimento que se tem para montar uma loja virtual, que varia de R$ 100 à R$ 500 mil Reais. Além disso, temos que considerar que o retorno é lento e gradual.

Um último fator que não podemos deixar de lado, seria a concorrência que existe no segmento B2C (Business to Consumer). Montar uma livraria virtual pode ser muito mais difícil quando se tem a concorrência de uma amazon.com, siciliano.com ou de outras mais.

Portanto, analisando todos esses aspectos, poderíamos dizer que somente uma mudança repentina de hábitos e cultura poderia mudar um pouco esse cenário, pois estamos diante de uma situação singular, onde temos os empresários ainda resistentes, os usuários ainda não acostumados a comprar via Internet, a concorrência e o custo para montar uma loja virtual estão cada vez maiores, numa situação que diverge para um futuro ainda incerto

Enquanto os nossos empresários “Oxente” insistem em perder o bonde da história, estamos cada vez mais fadados à aceitar índices que mostram o quanto nós estamos atrasados em relação à outras regiões.

 Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor

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