MARKETING - Artigos de Colaboradores

Carta de um cliente insatisfeito, e sem tempo
Jocélio Leall

AT SR CARLOS BYRON
MD gerente Swatch no Brasil

Caro Sr Carlos Byron,

Mário Quintana chamava o despertador de objeto abjeto. E abjeta é mesma a prisão em que ele nos enquadra. Regula nosso dia-a-dia e nos obriga a viver em função de seu badalar. O relógio é a sua versão portátil. Silenciosa, mas igualmente cortante.

Felizmente, alguns deles nos dão prazer em conduzi-lo no pulso. Há um valor oculto nisso. Quem, quando menino, já não ficou horas e horas a admirá-lo e a bulir nos ponteiros. É a descoberta inerente ao primeiro relógio. Aquele ganho da madrinha, até meio a contragosto no começo, porque criança que é criança quer é brinquedo!

Os ponteiros correm, o tempo passa e a gente nem o vê passar, a gente cresce. Mudam os valores, o relógio vira um objeto de desejo.

Algumas marcas conseguem isso. Virar objeto, não abjeto, de desejo. Seduzem e conquistam, rapidinho, num piscar de olhos. Quando menos se espera já se está lá, olhando para a vitrine. Cafezinho, sorrisos...e ele se enrosca no braço. Como que querendo tomar o pulso das coisas, se instala ali e regula a vida da gente. Tem hora para acordar, para comer, beber, até para amar. E a gente mesmo até se apaixona, por ele.

Triste quando esta paixão acaba por traição. Ele, o relógio, acha que chegou a hora de dizer adeus. Afoga as mágoas, e se afoga junto, deixando a gente perdido no tempo e no espaço.

Sr Carlos Byron,

É assim, perdido no tempo e no espaço, que me sinto agora. Não faz muito tempo – foi em junho – que adquiri um relógio Swatch num representante da marca em Fortaleza, precisamente num quiosque situado no Shopping Iguatemi. Fui muito bem atendido, é verdade.

Naquele momento tudo parecia perfeito. Foi dito que, em caso de troca, seria simples e rápido receber um outro relógio. Soube ainda que o aparelho era resistente. Ate 30 metros de profundidade. Pois bem, nunca mergulhei. Nem nadar eu sei. Contudo, meu relógio, coitado, ficou resfriado. Entrou água e começou a oxidar pelos cantos, na parte interna.

Fui ao quiosque onde o comprei. O atendimento foi perfeito, mas para casa só levei o endereço da assistência técnica – longe pra burro do meu trabalho. Problema! Ah, a moça que atende me informa o 0800. "É para você apressar!". Estranho. E será preciso isso?

Bem, vou ao Centro. Chegando lá, às 13h45 minutos do dia 14 de novembro último, dei com a porta na cara. De repente, por acaso, uma senhora mal humorada abre a porta e avisa: "Só atendemos a partir das duas". Fazer o que ? Esperar.

A "simpática" senhora recebe o relógio e comenta: "Nunca vi retornar com menos de 30 dias". E mais: "Estes vendedores sabem que não é a prova d’água. É só resistente!. Pode pegar um chuvisco, um banho rápido...". Bacana!

Sexta-feira, 24 de novembro, 14h31min. Ligo para o 0800. A moça, muito simpática, ouve minha lamúria. Anota a referência e localiza o protocolo. Surpresa! Ela me informa que está faltando o papel da garantia. Informo que foi devidamente entregue na assistência. Sugere então que eu ligue para lá. Ué, o problema é só meu? Não é também da marca? Tremei Philip Kotler!

Parei por aqui para não entortar minhas safenas. Tenho muito tempo pela frente. Talvez sem o meu Swatch.

Jocélio Leal de Oliveira
Fortaleza-CE


DESCRIÇÃO DO RELÓGIO ENTREGUE
QTDE MARCA MODELO REFERÊNCIA CÓDIGO CX CÓD. PULS
1 SWATCH SFK 102 G TRANSP. AÇO

 Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor

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