MARKETING - Artigos
Mosqueteiros Corporativos?
(VOCÊ S/A On-Line, setembro/2003)
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Com
certeza, se os Três Mosqueteiros e d'Artagnan
fossem reais e estivessem vivos, estariam morrendo de ganhar
dinheiro com palestras.
E a razão é simples. Falta às empresas a principal competência
dos quatro: A concorrência. Parece estranho, mas é isso mesmo.
Ainda não surgiu um time que melhor apresente o verdadeiro
significado de concorrer do que os quatro espadachins de Alexandre
Dumas. Vamos, então, ao real significado. Observando
a etimologia de cooperar (com + operari) e colaborar (com
+ laborare), encontramos que estas palavras significam agir ou
trabalhar conjuntamente. Pesquisando ainda a palavra convergir (com
+ vergere), descobrimos que ela significa inclinar-se
conjuntamente, ou para uma mesma direção. Se é assim, por que então
competir (com + petere), que significa buscar ou ir
conjuntamente, e concorrer (com + currere), que significa
correr conjuntamente, têm uma interpretação tão hedionda dentro
das empresas? Que mal pode haver entre colaboradores que concorrem,
ou seja, trabalham (laborare) e correm (currere)
juntos em busca de um mesmo objetivo; ou de colaboradores que
competem, ou seja, agem (operari) e procuram (patere)
juntos por um mesmo objetivo? Na
minha opinião, o problema dentro das empresas não está em alguém
correr ou buscar algo ao mesmo tempo que outro. O problema é que
tais palavras, no meio corporativo, pressupõem um único vitorioso,
um só lugar de destaque. Aí é que mora o perigo.
“Colaboradores” deveriam na empresa concorrer por objetivos
comuns, mas, na verdade, concorrem por louros pessoais. Concorrem
por “com quem ficam os créditos”, por “quem fica melhor na
fita”, por “quem causa melhor impressão no chefe”, por
“quem recebe o prêmio”, por “quem fica com o cargo”. Se a
cultura da empresa é procurar “o” culpado que esculhambou tudo,
ou “o” gênio que “isoladamente” alcançou a nova conquista,
sem dúvida alguma competição e concorrência são simplesmente
palavras impronunciáveis. Mas, se a empresa preza pela cultura de
equipe, em detrimento da cultura do indivíduo, do herói, do
salvador, ou do réu, concorrer e competir são grandes caminhos
para se alcançar mais rapidamente a excelência. É
óbvio que a cultura empresarial não pode sufocar o talento
individual, o reconhecimento do talento particular. Existem
realmente algumas pessoas que se destacam, que fazem a diferença e
dão sua contribuição através de uma idéia espetacular, ousada.
Isso deve ser reconhecido. Mas o que seria de uma idéia sem sua
conseqüente realização, sem sua implantação? E até que me
provem o contrário, nunca ouvi falar de alguma idéia que tenha
sido operacionalizada, dentro das organizações, por um único
indivíduo. Ou seja, um processo que simplesmente prescindisse da
cooperação dos outros. Voltando
ao ponto, quando se valoriza a equipe e o resultado coletivo, tudo
que a empresa quer é que os colaboradores busquem e corram juntos,
numa mesma direção. Nessa hipótese, de valorização da equipe, o
risco é quase nulo, pois eles jamais estarão correndo ou buscando
o mesmo posto. Jamais estarão “lutando” (sabe-se lá com que
armas), por algo que só possa ser gozado por um. Portanto, a
concorrência ou competição será uma moeda de face única. Sem o
outro lado, nocivo, ou seja, o da luta interna, intramuros,
simplesmente pela inexistência de uma razão para tal: não estará
em jogo o indivíduo,a celebração individual. Mas,
neste cenário de concorrência interna sadia, como fica a escalada
corporativa, aquela vontade natural de indivíduos quererem ocupar
postos mais altos dentro da organização? Isso não será um
problema, desde que a empresa deixe claro que os postos serão
ocupados com base em uma avaliação individual, mas que considera a
capacidade e habilidade do indivíduo “concorrer” com o time. Ou
seja, a empresa continua a olhar para cada um, mas considera o que
cada um faz pelo todo, e não por si só. Com franqueza, me diga se esse não seria o melhor dos mundos: todos “lutando” para ver quem mais ajuda, mais colabora, coopera, converge, concorre e compete. Alguma semelhança com os Três Mosqueteiros não será mera coincidência. Vale lembrar o lema de d'Artagnan , Atos, Aramis e Portos, que poderia ser o lema de sua empresa: “Um por todos, e... todos por um!!!” Paulo Angelim |
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