MARKETING - Artigos
Ora, Veja!
(Jornal Diário do Nordeste, 21/9/98)
| Confesso que,
a princípio, invadiu-me um sentimento de ódio, ou
indignação, quando mais uma vez vi profissionais de
propaganda do quilate de Duda Mendonça e Nizan Guanaes
serem tratados, pela revista VEJA, em sua edição 1.564,
como marketeiros. Desarmei-me, e comecei a
ler a matéria. O sentimento inicial foi mudando para um
outro mais racional, de crítica, e, por fim, senti-me
aliviado. Penso que a revista, inconscientemente e apesar
dos inúmeros erros crassos cometidos ao longo da
matéria, deu uma grande contribuição ao problema da
conceituação do que é marketing, quando definiu o
papel de um marketeiro. Segundo ela, esses
profissionais em geral, trabalham na imagem, no
visual, e não mexem nas idéias do candidato.
Acerta, também, quando diz que eles, não apenas
realçam as qualidades do candidato... mas também
inventam qualidades que o sujeito não
tem.... VEJA acertou, mesmo sem querer, pois
comparar marketeiro a profissional de marketing, é o
mesmo que tentar igualar empregado a trabalhador, ou
protético a dentista. Sabemos muito bem que o verdadeiro
profissional de marketing não foca suas atenções,
exclusivamente, na embalagem do produto, desconsiderando
seu conteúdo físico, público alvo, repercussão
social, princípios éticos das ações planejadas, e
outras variáveis mais. Focar no visual, na mensagem dita
à qualquer custo, desde que emocione, é puro engodo. E
VEJA, nas entrelinhas, deixa claro que esse é o papel do
marketeiro. Erra quando qualifica dois pesos
pesados da propaganda brasileira como tais. Guanaes e
Mendonça são profissionais de marketing com excelência
em comunicação. O erro ocorre porque VEJA,
paradoxalmente ao que foi dito até aqui, tentou, na
verdade, por várias vezes igualar marketeiro
à profissional de marketing. E como na concepção da
revista o marketing é propaganda, uma técnica
para vender peixe..., acaba por confundir os dois
profissionais com protéticos da ciência do marketing.
VEJA erra, ainda, quando diz que Quayle era a
corporificação do marketing: bonitinho, loirinho,
riquinho, olhos azuis e nenhuma idéia na
cabeça.... Errou porque esse é o case de sucesso,
a obra-prima, de qualquer marketeiro. VEJA
acabou por conceituar o anti-marketing, tão bem
desenvolvido por esses profissionais. Duvido que a
revista tratasse de uma matéria sobre energia nuclear
sem buscar o aporte de conhecimento dos acadêmicos e
profissionais da área. Assim, erra VEJA quando deveria
ter escutado o pensamento acadêmico e os verdadeiros
profissionais de marketing, antes de publicar tais
aberrações. Deve ter se confiado no conhecimento de
seus jornalistas que, provavelmente, aprenderam marketing
em algum seminário de fim-de-semana, em cursos
intensivos de 5 dias, ou mesmo, numa única cadeira, e de
propaganda, dentro do curso de jornalismo ou
comunicação social. De qualquer forma, obrigado VEJA. O
capítulo sobre marketeiros no Brasil já
recebeu uma rica contribuição. Paulo Angelim |
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