MARKETING - Artigos
As dez competências do executivo e
vendedor
(VendaMais, Maio/2001)
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Na edição 32 de VOCÊ S.A.,
foi apresentada uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers (que nome!)
sobre os atributos que os executivos-chave de uma organização devem
ter. A pesquisa considerou uma amostra de doze grandes empresas
nacionais e multinacionais, incluindo gigantes como Bank Boston,
Natura e Alcoa, só para exemplificar.
Antes que você pergunte o que uma
pesquisa sobre executivos-chave está fazendo em uma revista dirigida
a vendedores, lembre-se que você é o principal executivo de sua
carreira profissional, independentemente de você trabalhar para uma
corporação, representá-la ou ainda trabalhar como autônomo.
Considere que uma das grandes ilusões da vida é acharmos que
trabalhamos para os outros. O vitorioso trabalha para si mesmo, e tem
consciência que para vencer precisa prestar excelentes serviços a
alguém, seja pessoa física ou jurídica. Pense nisso! Mas, vamos
deixar de conversa e mergulhar nas dez competências fundamentais para
o profissional (vendedor) de futuro. Questione quais competências são
mais importantes para sua realidade em particular e reflita como você
vem desenvolvendo cada uma delas. Preparado? Então, vamos lá. 1.
Capacidade
de realização De
uma forma bem simples, a questão que você deve perguntar-se neste
instante é: eu termino o que inicio? É impressionante como grandes
idéias são deixadas de lado por falta de perseverança em
persegui-las até o fim. Lembre-se que, normalmente, muitos dos
fracassados são homens que não se deram conta de quão perto estavam
do sucesso quando desistiram. Então, você é um vendedor com grande
capacidade de iniciação ou de realização? Termine seus projetos!
Caso contrário, você jamais terá certeza se eles realmente estavam
fadados ao fracasso, ou ao sucesso. 2.
Compromisso
com resultados Outro
dia, um vendedor amigo me disse que não estava conseguindo muitos
fechamentos mas, pelo menos, estava fazendo muitos amigos na
“arte” da venda. Pena que esses novos “amigos” não pagarão a
conta de água e luz. Cuidado para não desviar-se de seus objetivos,
dos resultados esperados! O objetivo maior da venda é a satisfação
do cliente. Mas veja, eu disse “cliente”. E essa condição, a de
cliente, um prospect só
alcança se a venda for concretizada. Enquanto isso, o prospect é tão somente isso, um cliente em potencial. E como você
não “come em potencial”, mas a fome é real, trate de buscar
resultados. 3.
Criatividade
e inovação Quer
dizer que você vem usando há anos as mesmas técnicas e estratégias
de abordagem, sondagem, apresentação, fechamento e pós-venda e não
sabe porque suas vendas estão caindo? Ah, sim! Realmente é muito difícil
explicar porque sua vendas caem! Meus amigos vendedores, prestem bem
atenção. Se existe um atributo imprescindível em tempos de mudança,
como os que vivemos hoje, esse atributo é a criatividade, a
capacidade de enxergarmos o que não existe, de inovarmos. Bernard
Shaw dizia: “Alguns homens vêem as coisas como elas são e dizem
‘por que?’ eu sonho com coisas que nunca foram feitas, e digo,
‘por que não’?” Se algum dia você já foi criança isso é
sinal de que você tem em si potencial criativo. Pare com essa história
que você não é imaginativo. Está mais para preguiça em pensar de
forma lúdica, do que falta de imaginação. Já vi inúmeros
inventores de mesa de bar que são verdadeiros fracassos em suas
profissões. Ou seja, estão usando o potencial criativo de forma
errada. 4.
Gestão
de pessoas Alguém
aí tem alguma dúvida que a dificuldade de administrar
relacionamentos é um dos maiores vilões dos resultados em equipe?
Quantas vezes grandes idéias são jogadas para debaixo do tapete pelo
simples fato das pessoas não se entenderem? Segure essa de Alexander
Hamilton: “Freqüentemente, rejeitamos alguma coisa meramente porque
não tivemos qualquer participação na sua formulação, ou porque
foram idealizadas por alguém que não gostamos.” Se você não
consegue gerir os sentimentos dos outros, suas expectativas, seus
sonhos, como você acredita que poderá gerir as várias pessoas que
existem dentro de você - vendedor, pai, filho, amigo...? 5.
Trabalho
em equipe O
General norte-americano Colin Powell afirmou que “o melhor método
de vencer obstáculos é o método de equipe”. Em vendas, trabalhar
em equipe não necessariamente significa dizer fechar vendas em
conjunto, mas também pensar em equipe. Recentemente, um estudo da
Universidade de Princenton provou que um grupo consegue respostas de
80 a 90% mais precisas do que respostas formuladas individualmente. A
questão para a empresa é: os problemas e dificuldades enfrentados
por um vendedor em particular são somente dele ou são divididos com
todo o grupo, na expectativa de que todos aprendam uns com os outros e
assim nivelem por cima os resultados? Ah, você trabalha sozinho! Então,
reúna-se com outros vendedores, mesmo que de outras áreas, e veja
como vocês podem se completar. Um grupo também serve para muitas
outras coisas úteis ao seu crescimento profissional, além de servir
para bater uma bolinha, tomar um chá, jogar um baralho, ou tomar uma
geladinha. 6.
Liderança Se
um livro não consegue esgotar o conceito de liderança, quem dera um
parágrafo. Mas tentemos resumir assim: sua capacidade de liderança
é diretamente proporcional a sua capacidade de entusiasmar pessoas em
torno de um objetivo comum. Isso não tem nada a ver com cargos, mas
com função, performance. A liderança independe de hierarquia, mas
tem a ver com habilidades, competências, relações. Não são poucos
os casos de vendedores que são chamados por gerentes modernos a
liderar processos de venda complexos, por sua habilidade ou
conhecimento específico na área em questão. Não se mede a liderança
pela capacidade de fazer os outros trabalharem para
você, mas com você. E
nesse caso considere estoquistas, pessoal administrativo (faturamento,
contabilidade, cadastro...), repositores e tantos outros que não
necessariamente estão subordinados a você, mas que podem facilitar
em muito sua vida como vendedor. Pergunta chave: você exerce liderança
sobre as pessoas que você se relaciona? 7.
Orientação
para o cliente Considerando
que o bolso é o órgão mais sensível do corpo humano, qual é o
mais importante, seu bolso ou o do cliente? Quer fazer um teste para
medir sua orientação para o cliente? Então, responda a seguinte
pergunta: se a idéia de um cliente estiver errada quanto aos benefícios
esperados de um produto que ele está comprando de você, você
alertaria o cliente que ele não deve comprar aquele produto, mesmo
que o fechamento já esteja concretizado? Se sua resposta foi não,
então está na hora de reconsiderar sua visão sobre a razão de sua
existência: o Sr. Cliente. Orientar-se para o cliente é colocar os
interesses dele, de longo prazo, acima dos seus, normalmente de curto
prazo. Não se mede sua orientação para o cliente pelo número de
clientes que você conquista, mas pelo número de clientes que você
mantém. Jamais esquecerei a singeleza de uma declaração de política
de qualidade de uma multinacional: “Para nós, qualidade é quando
nossos clientes voltam, e nossos produtos não”. Seus clientes estão
voltando e lhe indicando a outros? Esse deve ser seu termômetro para
medir quão orientado para o cliente você é. 8.
Pensamento
estratégico Napoleão
Bonaparte definia que “estratégia é a arte de usar o tempo e o
espaço.” Ele ainda considerava que “era mais ligado ao primeiro
do que ao último, pois espaço podemos recuperar, o tempo, nunca.”
É nesse atributo, o pensamento estratégico, que está a grande
diferença entre vender, e vender mais em menos tempo. Ser estratégico
implica, necessariamente, pensar antes de agir. Mas veja bem, eu disse
pensar antes, mas agir depois. O reverendo norte-americano W. A. Nance
nos alertava que “o fracasso pode ser dividido entre os que pensaram
e nunca fizeram e os que fizeram e nunca pensaram.” Assim, o
vendedor estratégico tenta criar antecipadamente as situações que
irá viver e, com isso, se preparar para ter em mãos as possíveis
armas e movimentos necessários para o sucesso diante dos desafios.
Depois de antever os fatos possíveis, ele vai lá e enfrenta a
realidade, na expectativa que ela se assemelhe à projeção formulada
anteriormente. Caso contrário, saca fora o plano B, o plano C, e na
ausência de outros planos, faz um recuo estratégico, pensa novamente
nas novas condições enfrentadas e volta para o campo de batalha.
Mas, sempre volta com pelo menos dois planos. 9.
Gestão
de mudanças “É
impossível haver progresso sem haver mudança, e quem não consegue
mudar a si mesmo não muda coisa alguma” - Bernard Shaw. Precisa
dizer mais alguma coisa? Na verdade, só mais uma: não somente se
adapte às mudanças, mas provoque-as e crie um mundo o mais próximo
possível do seu imaginário. Com certeza você aumentará em muito
sua capacidade de controlá-lo, uma vez que foi você que o delineou.
Olhar para as mudanças da concorrência é fundamental. Não para
copiá-las, mas para fazer diferente dela e estabelecer seu próprio
ambiente. Quando perguntado sobre sua fórmula de sucesso, um grande
jogador de futebol disse que era simples: “não corro para onde a
bola está, mas para onde ela provavelmente irá”. Antecipação,
essa palavra é chave num mundo que inevitavelmente muda. 10.
Gestão
de projetos Ufa!,
estamos chegando ao fim. O gestor de projetos compreende que sua função
é harmonizar as várias competências necessárias para a concretização
dos objetivos, olhando holisticamente para todo o processo. É muito
simples entender esse processo em vendas. Basta olhar para os
vendedores que, ao invés de somente vender seu produto, viabilizam a
formação de uma cadeia providenciando, para seus clientes,
fornecedores e até mercado de consumo. Exemplo: um proprietário
estava com dificuldades de vender 6 apartamentos que tinham uma bela
vista, mas uma sala e dois quartos muito quentes, somente no período
da tarde. Ao invés de dar o desconto de R$ 20 mil por cada
apartamento, oferecido pelo proprietário desesperado, um corretor de
imóveis conseguiu que uma loja de ar-condicionados fornecesse 3
aparelhos para cada apartamento, com uma majoração de 10% sobre o
valor de venda. Era uma forma de compensar o fato de só receber o
pagamento pelos aparelhos depois da venda dos apartamentos. Os
compradores dos imóvis adoraram e os 6 apartamentos foram
comercializados com descontos de apenas R$ 5 mil do valor normal,
enquanto que o proprietário desembolsou apenas R$ 4,5 mil pelos
aparelhos. Conta final: R$ 10,5 mil reais que seriam desperdiçados
pelo proprietário foram reintegrados, além de um lojista de
ar-condicionado satisfeito com a venda de 18 aparelhos por um valor
10% acima do normal, e 6 novos moradores confortavelmente instalados.
Agora diga-me: esse vendedor é ou não um gestor de projetos? Finalmente, quero lhe fazer uma
pergunta: Na sua opinião, quais das competências acima são as mais
importantes para a área de vendas? Envie um e-mail com suas opiniões
e divulgaremos nas próximas edições da VendaMais a opinião dos
leitores da revista. Basta classificar as dez competências abordadas
numa ordem de mais importante para menos importante. Se você tiver
outras sugestões de competências, além dessas dez, envie-nas.
Enquanto seu e-mail não chega, use bem as competências descritas e
vendas abençoadas para você. Paulo
Angelim é Consultor e Palestrante em Marketing, Vendas e Motivação. |
Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor