MERCADO IMOBILIÁRIO - Artigos
Virá da CAIXA a solução para o setor
imobiliário?
(Jornal OPOVO, 26/7/98)
| Convido-o a
analisar a questão do financiamento imobiliário na
ótica do construtor, o segundo elo mais forte da cadeia;
abaixo apenas do Sr. Cliente. Para não compararmos
banana com laranja, consideremos três diferentes grupos
de linhas de financiamento: capital de giro
(recebíveis), imóveis prontos, imóveis em planta. O
primeiro, dos recebíveis, cobre necessidades pontuais de
empresa que precisam recompor seus fluxos, ou ativos, e,
dada a atual política de juro, não é uma operação de
dia-a-dia para as construtoras. Aplica-se apenas em casos
de pacientes graves, e que precisam de uma terapia de
choque para continuar vivendo. Se alguém discorda, que
se levante uma voz e prove para o setor como se opera uma
construtora com dinheiro a custo de 15% a .a . + TR .
Impossível. É só para situações de emergência, em
que não se pergunta o preço do hospital. No segundo
grupo, imóveis prontos, tanto CAIXA como bancos privados
já oferecem financiamentos dirigidos ao mutuário. A
questão é que é possível que o dinheiro que entra no
sistema, seja, no final, aplicado, pelo vendedor do
imóvel, em um carro novo, ou na cobertura do cheque
especial. Não se garante a dinâmica do mercado. Se a
questão é mudar o atual quadro de estagnação do
setor, gerar emprego, e atender o déficit habitacional
brasileiro, temos que nos deter no terceiro grupo,
financiamento para imóveis em planta ou em construção.
É impossível olhar para esta questão e ignorar o que a
CAIXA tem a propor. Historicamente o setor espera da
CAIXA soluções factíveis para suas demandas. Porquê?
É simples. É o maior banco imobiliário do país, e com
a maior experiência vivida no setor. História essa
marcada por acertos, e, infelizmente, por incoerências,
via de regra, motivadas por interesses externos à
instituição. O fato novo, hoje, é o novo discurso da
instituição, marcado pela cautela quanto aos riscos das
operações, que, outrora, colocaram-na em maus
lençóis. É compreensível, haja vista o estoque de
abacaxis em sua carteira. O que pensamos enquanto setor
é que, se no passado houveram topadas e tropeços,
espontâneos ou provocados por forças políticas,
aqueles, não necessariamente, indicam que todos os
caminhos futuros serão acidentados. Assim, as novas
linhas de financiamento apresentadas pela diretoria da
CAIXA orientadas para a produção, continuam dirigidas
apenas ao mutuário, não contemplando a construtora.
Isto força uma vinculação dos compradores ao SFH.
Apesar disso, a carta de crédito vinculada a poupança,
trás, agora, os benefícios do financiamento de 100% do
valor do imóvel, e parcelas mensais progressivas durante
o período de obra. É um bom avanço, e atende em parte
o setor. E a outra parte? Estaria a CAIXA disposta a
apresentar novas propostas diante das considerações do
setor? O tempo nos dirá. Eliminada a hipótese de
continuarmos com o nosso discurso histórico e inócuo,
resta-nos concentrar esforços no terceiro grupo.
Primeiro, montar projetos utilizando os produtos
oferecidos pela CAIXA e acompanhar a eficiência da mesma
no atendimento das solicitações. Segundo, motivar os
bancos privados, e a própria CAIXA, a portarem-se como
partes inteligentes deste mercado. Ou seja, que nos
ouçam, e nos apresentem um outro repertório, que
estimule o setor através do financiamento à produção
dirigido ao mutuário e às construtoras. Seria uma
medida natural de uma economia aberta, de livre
concorrência, e inteligente. A resposta para a pergunta
no título? A história nos mostra que em economias
abertas, o mercado é sempre mais inteligente. E a CAIXA,
parece, quer ser parte do mercado. É esperar e ver. Que
Deus nos abençoe, inclusive a CAIXA. Paulo Angelim |
Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor