MERCADO IMOBILIÁRIO - Artigos
Você não será o mesmo depois desta
leitura
(Jornal do CRECI/CE, Dez/97)
| Sem sombra de
dúvidas, 1997 foi um ano de grandes transformações.
Revendo meus arquivos, encontrei um artigo que escrevi
para este jornal, no final de 1996. Fico feliz em
constatar que algumas previsões confirmaram-se. A
solução para o setor veio da iniciativa privada, e não
da Caixa, que até tentou ajudar, mas não foi
suficiente. A internet consolidou-se como meio de
transferência de dados e valores. Basta olhar para os
vários bancos migrando seus homebankings
para a insuperável net. Mas, quando fui convidado para fazer esse balanço sobre 1997, uma palavra não conseguia deixar minha mente: MUDANÇA, a terceira única verdade absoluta. A primeira é que Deus existe; a segunda é que a morte, inevitavelmente, um dia chega; e a terceira é que tudo neste mundo muda, nada permanece. Vamos então às mudanças de 1997. O ano para nós, Fortalezenses, começou com uma nova administração municipal, que de largada mudou toda sua estrutura, criando cinco sub-prefeituras, e trazendo a reboque vários elementos complicadores para o setor, notadamente a morosidade na análise dos processos. Mudou a legislação de uso e ocupação do solo, incorporando uma série de novas determinantes para o desenvolvimento urbano. Mudou a conjuntura econômica, trazendo desaceleração nos negócios imobiliários, mais sentida no segundo semestre de 1997. Mudou, ou pelo menos está sendo proposta, as pesadas máquinas federal e estadual. Cortes, extinção de órgãos, fusão de outros, tudo refletindo diretamente na liquidez e por conseguinte na capacidade, ou vontade, da população investir em imóveis. Mudou o emprego. Postos de trabalho sumiram nas indústrias, postos de trabalho surgiram no serviço. Mudou o sistema habitacional. Na onda das siglas, FCH aprovou o SFI, como alternativa melhorada ao SFH. Nesse bê-a-bá, estamos esperando só a taxa de juros baixar. Aí o SFI, começa a funcionar(uma rimazinha sempre é bom, só pra relaxar). Mudou o perfil das empresas do setor em nosso estado, e no país. Sumiram algumas, surgiram outras; sejam bem-vindas. Depois do caso Encol, mudou a postura das empresas quanto à incorporação. Sempre foi exigida por Lei, mas agora é exigida por aqueles para quem a Lei é feita (ou deveria), sua excelência o mercado consumidor. Mudou o jeito de fazer negócio imobiliário. Qualquer dúvida, ligue para o Sérgio Porto e pergunte sobre a Rede Imobiliária Cearense. Querem mais mudanças. Mudou o CRECI, que ganha novo caráter, mas preserva a função mister: disciplinar o setor. E isso, diga-se de passagem, vem fazendo de forma exemplar. Mas de todas as mudanças neste ano de 1997, destaco uma que é quase imperceptível, mas de grande importância. Mudou o critério de avaliação do imóvel. Do famigerado, retrógrado, ineficiente, e por que não dizer, irresponsável custo por metro quadrado, para o famoso custo x benefício, consagrado em vários setores da economia, e que o mercado imobiliário recusava-se em aceitar. Deixe-me explicar o porque da indignação. Nunca vi alguém comprar carro avaliando o custo por HP; ou comprar roupa considerando o custo por cm2 de tecido. Os lançamentos do Holliday Inn e Meliá Fortaleza foram os grandes responsáveis por essa virada. Parabéns aos empreendedores e responsáveis pela condução dos empreendimentos. O mercado todo deve ecoar, à uma só voz, gritos de vivas. O novo referencial, é lógico, tem que ser aquele já consagrado pelo próprio mercado, mas até então subutilizado: localização x benefícios(3 quartos c/ 1 suíte, ou 2 quartos sem dependências, ou 4 suítes + gabinete e 5 vagas). E o tamanho, onde fica? Responda-me agora, por favor: qual o comprimento de seu carro? Você não sabe. Mas você sabe se ele é pequeno, médio ou grande, correto? Faça o mesmo com o imóvel. É simples. Diante da clássica indagação do cliente qual o custo por m2 , responda que não está vendendo m2, mas localização, implantação, conforto, acabamento, etc. Sei que vão me chamar de doido. Mas paciência, disso cada um de nós temos um pouco. E viva a loucura que muda a história! Mudança, mudança, mudança. Não tenho boas notícias para os que gostam de águas mansas, e maré baixa. Minha previsão para 1998? MUDANÇAS. O que fazer? Mais uma vez parafraseio o pai da reengenharia, Michael Hammer: O segredo do sucesso não é prever o futuro, mas criar um negócio que prosperará em um futuro imprevisível. Quer muita tranquilidade para enfrentar as mudanças, e as intempéries que ela carrega consigo? Confie em Deus. E que Ele nos abençoe. Feliz 1998! Quase esquecia. Só pra não perder a mania, 98 vai ser melhor que 97. P.S.: O título do artigo fez sentido? Pense, e mude. Paulo Angelim |
Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor