MERCADO IMOBILIÁRIO - Artigos
1999. O início do fim
(Revista do CRECI/CE, Jan 99)
| Parece
parodoxal. Mas é a pura verdade. 1999 marcará o início
da quebra de várias máximas, para não dizer
paradigmas, na forma de fazer negócios neste país e no
mundo. Nessa transição de milênio (2000 para 2001),
presenciaremos o fim de várias práticas que marcaram o
dia a dia dos nossos negócios, e que simplesmente não
mais existirão daqui há dois anos. É óbvio que
mudanças sempre ocorrerão ao longo do tempo. A
sociedade, em suas mais diversas áreas, se aperfeiçoa
em ciclos. Mas o que diferencia esse momento que vivemos
é a velocidade com que estamos reinventando o
modus operandi dos nossos negócios. Não é
só uma questão de melhoramento ou aperfeiçoamento. É
um total rompimento das velhas práticas, em detrimento
de novos hábitos que tem deixado a geração acima dos
40 completamente tonta. Prepare-se para em 1999 conviver
com um novo mundo, cheio de oportunidades para os
antenados com a era dos chips, mas pleno de ameaças para
os que ainda não cortaram o cordão umbilical com o
velho Brasil estatal. Abramos as cortinas deste cenário, e vejamos apenas algumas cenas do próximo filme. Internet - Acabou a era do papel. Olhe nas novas agendas que você está recebendo(se você ainda não a trocou por uma eletrônica), e veja se a mesma tem um espaço adicional para o e-mail ou celular, além do velho campo para o nome, fax e telefone. Catálogos de produtos, extratos bancários, aplicações e transferências, declaração de imposto de renda, certidão negativa, reserva de hotéis e aviões, acompanhamento do despacho de cargas, cursos de inglês, cursos de mestrado e doutorado em universidades no exterior, ligações internacionais por 1/10 do valor, são apenas alguns poucos exemplos do que já está disponível na rede. Negue-a, e você terá que procurar um endereço em outro planeta para morar. Continuar aqui sem estar na internet, é pedir um atestado de indigente do conhecimento. Qualidade - Acabou a era do produto. Responda-me com sinceridade: daqui à dois anos, que valor terá uma ISO 9000, 14000, ou 80000, como diferencial competitivo das empresas? Minha opinião: muito pouco, ou nenhum. Por enquanto, ainda vemos algumas empresas, em certos setores mais atrasados, comunicarem ao mercado suas conquistas isonianas como troféus que as colocariam no Olimpo do mercado. É bom notar que qualidade tem deixado de ser diferencial competitivo para se transformar em atributo inerente às empresas que querem se manter no jogo. Apesar de tardio, em relação ao primeiro mundo, estamos entrando na era do relacionamento, do marketing um a um, que busca verticalizar a relação com o cliente. A ordem agora é, e por muito tempo será, vender muito para poucos, em lugar da antiga prática de vender pouco para muitos. Emprego - Promoção por tempo de serviço, salário por tempo de serviço, quinquênio, férias de 30 dias, licença prêmio, licença não remunerada, seleção por experiência na função, relação de subserviência entre chefe e subordinado, e coisas do gênero, em breve, somente poderão ser encontradas em livros do tipo História da Administração Brasileira no século XX. Se tiver dúvidas como são as novas relações no trabalho, e as tendências daqui para diante, basta uma lida rápida em publicações do tipo VOCÊ S/A. Isso é tudo? Lógico que não. Mas já é um começo bom o suficiente para lhe exigir reflexões profundas no seu dia-a-dia de trabalho. Apesar do Itamar, feliz 1999. Paulo Angelim |
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