MERCADO IMOBILIÁRIO - Artigos
Renovar esperanças
(Revista do CRECI/CE, Dez/98)
| Mais um ano
se inicia. 99 não traz muitas expectativas
alvissareiras. Apesar do momento atual, é normal
renovarmos as esperanças de um mercado melhor e mais
pujante. Definitivamente, 98 não foi um bom ano para o
setor, quando olhamos pelo prisma das vendas. Mas olhando
pela ótica do fortalecimento do setor,
encontraremos grandes conquistas, e que valem
registrar. Grupo da Criatividade Solidária, Câmara
Arbitral, acordo com Tribunal de Justiça em prol das
incorporações, Dataimóveis, programa Painel
Imobiliário, campanha publicitária resgatando a
credibilidade do setor, e, por fim, o resgate do Fórum
Imobiliário. Isto tudo conota uma maior integração
entre os segmentos que fazem o setor imobiliário de
nosso Estado, e, certamente, propicia um enfrentamento
mais sólido dos tempos adversos à nossa frente.
Com esta introdução, aproveito para tecer alguns comentários sobre um assunto que meu amigo Gama pincelou na edição passada: a redução dos custos dos novos imóveis. Não vou tentar apresentar uma solução. Até porque não a tenho. Pelo menos no momento. Quero, tão somente, levantar a bola mais alto, para pensarmos juntos. Todos sabemos que, diante do atual cenário macroecônomico, é imperativo que as empresas de todos os setores busquem a racionalização de seus custos, e a consequente redução dos preços de seus produtos. Não é uma questão dos clientes não aceitarem a subida indiscriminada de preços. O caso é que eles, realmente, não tem mais a capacidade financeira de suportá-los. No caso da construção civil, existe um grande problema. A redução de custos de uma obra passa, necessariamente, pela racionalização dos métodos construtivos(materiais e processos), bem como pela diminuição do tempo de construção, uma vez que quanto mais longo o prazo da obra, maior o peso dos custos fixos sobre o custo final do empreendimento. Ocorre que, com a inexistência do financiamento externo ao mutuário ou à produção, as construtoras ficam reféns do bolso dos clientes, da capacidade deles desembolsarem os recursos necessários para a viabilização das obras. Isto vale para a grande maioria, pois, mesmo as empresas capitalizadas não estão dispostas a jogarem as suas reservas em um empreendimento, que, via de regra, não valoriza o suficiente para pagar o custo do dinheiro aplicado na obra. E nós sabemos que o dinheiro está mais raro na mão do cliente, e sua capacidade de desembolso mensal tem reduzido significativamente. O resultado é que as construtoras são obrigadas a adequarem o cronograma físico da obra (prazo de entrega), ao cronograma financeiro do produto (prazo de pagamento). Este é determinado pela velocidade com que os clientes aportam os recursos. Voltemos ao cerne da questão. Diante deste quadro, qual a saída para a redução dos custos nas obras, se os construtores não podem reduzir seus prazos de execução? Uma saída seria a postergação do início das obras, mas de antemão digo que é paliativa, pois enfrenta o problema da credibilidade e não antecipa a entrega do imóvel ao cliente. Ou seja, para um prazo de entrega de 36 meses (que cabe no bolso do cliente), a obra seria iniciada após 18 meses do lançamento, e os outros 18 meses seriam de execução propriamente dita. Aí vem a pergunta: que cliente aceitaria o depósito de uma boa parcela de seus recursos em um empreendimento, que após 18 meses de lançamento não tem uma pá de terra removida? Um caminho seria a garantia do valor pago até o início da obra por um agente financeiro ou uma seguradora. De qualquer forma, o cliente só receberá 36 meses depois do lançamento. Convenhamos, é muito tempo. Não apontaria como uma solução, mas é uma saída. Enquanto o financiamento não chega, o segmento produtivo da cadeia vai fazendo o que pode, impossibilitado de efetivamente atacar o problema em seu cerne. Vale destacar que os construtores tem feito muito no sentido de melhorarem a qualidade final de seus produtos. E aqui cabe o registro da conquista da ISO 9000 por cinco construtoras locais. Sem sombra de dúvidas, é um grande passo na melhoria de nossos produtos, mas não é a solução impactante que o setor aguarda para voltarmos a níveis de atividade já auferidos no passado. Diria que as iniciativas isoladas de algumas empresas tem permitido garantir a sobrevivência das mesmas no setor. As que não fizeram coisa alguma, já estão sendo alijadas do processo pela nova ordem do mercado. Como disse no início, o propósito desta reflexão é de tão somente tocar na ferida para, de alguma forma, pensarmos juntos soluções que resolvam, ou pelo menos atenuem o problema. A bola tá levantada. E que Deus nos ilumine. Paulo
Angelim |
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