MERCADO IMOBILIÁRIO - Artigos

1996 foi bom para o mercado imobiliário?
(Jornal do CRECI, Dez/96)

Mais um ano passou. Tempo de fazer balanço, planejar o próximo ano que se inicia, e, se necessário, ajustar rotas. 
 Fazendo o balanço de 96 vemos que essencialmente esse foi um ano de aprendizado para o setor. Um ano de transição para uma moeda estável, que impôs novas regras de postura comercial, bem como de padrões imobiliários. Venceu quem teve a capacidade de reagir rápido às mudanças, e se adaptar às novas exigências. Mais do que nunca, a frase do pai da reengenharia, Michael Hammer, fez-se valer neste ano de 96: “O segredo do sucesso não é prever o futuro, mas criar uma empresa que prosperará em um futuro que não pode ser previsto.”  
 A imprevisibilidade do futuro não nos impede, mesmo sem a onisciência de Deus, de visualizarmos para este próximo ano de 97 alguns fatos notórios, que muito provavelmente estarão presentes em nossas conversas, despropositadas ou não, sobre o setor imobiliário. 
 A primeira é que em janeiro todos estaremos afirmando que 97 será melhor que 96. Tal afirmação somente será mudada em dezembro, quando estaremos afirmando que 98 será diferente. Isso faz parte dos bons profissionais. Ser positivo e esperançoso, sempre. 
 Mas agora falando sério. O ano de 97 começa com uma mudança significativa para o setor: A nova LUOS(Lei de Uso e Ocupação do Solo) do Município de Fortaleza, recentemente aprovada pela Câmara Municipal, e que trás transformações significativas no processo de desenvolvimento de nosso mercado imobiliário. Ora para melhor, ora para pior. É bom ficarmos atentos, e abrirmos desde já fóruns de discussão sobre a aplicação da mesma à nossa atividade. As entidades de classe devem levantar esta bandeira. 
 1996 definitivamente aboliu os planos de financiamento inferiores à 36 meses, e com isso trouxe um problema sério à ser administrado e combatido em 97: a liquidez das empresas de construção civil. Em poucas palavras. Construtora não é banco. Falta a porta de captação dos recursos para a oferta dos longos financiamentos, perna essa indispensável para o equilíbrio do sistema. Solução? Ouço às vezes vozes retrógradas do além que ecoam um nome medieval chamado Caixa Econômica Federal. Minha Posição sobre isso? Esqueçam as tetas do governo. Estão com pouco leite, melhor dizer pouquíssimo. E o pouco que tem será utilizado em programas que atendam as faixas mais carentes da população. E nós sabemos que não estamos falando de Aldeota, Meireles, Papicu, Cocó - nada contra os outros bairros de Fortaleza. E aí? Temos que mais uma vez usar nossa criatividade de povo que vence até a seca, e buscarmos alternativas na iniciativa privada para esta questão importante. Esqueçam o Estado. É na própria sociedade que encontraremos a fórmula para vencermos este desafio. Sem dúvida que a continuidade da estabilidade irá ajudar significativamente neste quesito, haja vista a atual taxa de juros praticadas pelo mercado financeiro. Por incrível que pareça, ainda se ganha mais dinheiro na ciranda financeira do que na atividade produtiva. Ou querem me dizer que vender televisor em 36 meses, com juros de até 7%, ao mês, não é aplicação financeira? Conta outra. Imaginem aplicar estas taxas em imóveis. Impossível! 
 Descoberta para nós brasileiros em 96, a internet deve em 97 definitivamente se transformar no padrão mundial de transferência eletrônica de dados e valores. Ainda estou sob estado de choque quando li hoje, no jornal, que minha cidade de infância e adolescência, a cosmopolita Quixeramobim, contará já no início de 97 com linha direta para acesso ao mundo através da internet. E isso com custo de ligação local. Anotem. É irreversível. Entre agora se quiser, ou chore depois do trem passar. 
 Seria injusto não destacar que 96 foi um ano de glórias para a classe dos corretores de imóveis de nosso estado. Nas entidades de classe, em particular no Creci, administrações modernas e ágeis imprimiram um novo “modus operandi” ao setor, através de parcerias com as empresas de construção e fornecedores, que proporcionaram aos profissionais um universo de informações e conquistas jamais visto em outra época. Não existe mais desculpa de não se reciclar. Isso continua sendo imperativo, e agora, acessível. 
 Enfim, sob minha análise, 96 representou grandes saltos qualitativos no processo de modernização do pensamento das elites que fazem nosso setor. Oportunidade deixou de ser chance, para se transformar em conquista. Se elas não surgem, criemo-las.  
 O amadurecimento das relações entre as partes,  - produtores, intermediadores e clientes - está cada vez mais consolidado, e acredito que 97 vem para consumar um novo tempo para o nosso mercado. O tempo da excelência administrativa, quando prevalecerá nossa criatividade e competência em gerir os negócios imobiliários. E gente assim nosso Ceará tem. Basta se descobrir.  Quase esquecia o mais importante. Que Deus nos abençoe. 

Paulo Angelim 
Consultor de Marketing

 
 Permitida a reprodução, desde que mencionado o autor

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